Creme de cenoura e a importância de comermos sentados

Os primeiros dias de Janeiro deste ano têm sido muito frios. O frio é fundamental nesta altura do ano, mesmo que não seja particularmente querido pela maioria das pessoas. Eu ando feliz com o frio e com a certeza de que após este frio a natureza vai despertar de forma vigorosa na Primavera.

O frio faz com que me apeteça muitas vezes sopa, incluindo fora das refeições. Eu gosto de sopas que sozinhas quase fazem uma refeição, ricas em cereais, leguminosas e hortaliças, mas para comer a um lanche gosto de um creme.

Hoje, junto com a receita de um creme de cenoura que se faz em 30′, não podia deixar de falar da importância de comer sentado, mesmo um lanche. Todos sentimos que uma refeição nos traz mais equilibrio. Quantas vezes já experimentamos a sensação de sossego interno e re-equilibrio a seguir a uma pausa para comer?

Mas para que uma refeição seja particularmente nutritiva é necessário que nos sentemos enquanto comemos:

  • para adquirir uma maior consciência de que estou a comer e daquilo que estou a comer.
  • Para perceber quando estou cheio; comer de pé e/ou distraído interfere com esta percepção natural.
  • Porque quando comemos sentados temos mais capacidade de digerir, absorver e assimilar os alimentos, fazendo com que nos sintamos mais nutridos.
  • Para que a refeição nos traga o equilíbrio que procuramos nela.

Existem sopas salgadas (como a de miso, o caldo de shoyu, e alguns caldos de cereais/vegetais) e existem sopas doces (como os cremes de cenoura ou de abóbora). Cada uma tem a sua função:

  • os caldos salgados ajudam a estimular e a activar a digestão.
  • cremes de vegetais doces ajudam a relaxar o sistema digestivo, harmonizam e equilibram.

A receita de hoje tem esta função: relaxar. Ajuda mesmo a descontrair quando comida ao final do dia, principalmente se sentimos que o trabalho foi intenso e que até estamos mais contraídos por causa do frio.

Façam-na e experimentem a sensação. Para isso é necessário comer este creme como disse anteriormente: sentados e atentos ao corpo.

Só mais uma nota: comprem cenouras biológicas. Nesta raiz o ser biológico faz uma diferença brutal no sabor final da sopa. comprem em mercadinhos biológicos, em supermercados biológicos, no ALDI, …

Ingredientes

  • Cenouras: 400g
  • Cebolas: 200g
  • Nabo: 50-60g
  • Millet: 1 colher de sopa
  • Sal marinho integral: q.b.
  • Azeite virgem extra: 2 colher de sopa
  • Ervas frescas para servir (cebolinho, coentros, salsa, agrião, …)

Preparação

  • Lave e corte todos os vegetais em pedaços de cerca de 2 cm por 2 cm (pequenos mas não em demasia)
  • Lave o millet.
  • Coloque todos os vegetais e o millet numa panela e cubra de água.
  • Leve ao lume, e quando ferver baixe e deixe cozer tapado durante cerca de 20 minutos.
  • Verifique se as cenouras já estão tenras e, caso estejam, acrescente o azeite, tempere com sal e triture até obter um creme aveludado. Caso as cenouras precisem de mais um pouco de tempo para ficarem tenras, deixe estar mais um pouco e proceda da mesma forma.
  • Sirva com uma erva fresca e coma sentado, sem pressa.
  • Nota: para mim esta sopa faz uma excelente refeição intermédia, quando tenho fome e ainda não são horas de jantar.

O que nos pede uma gripe

Neste momento não estou com gripe, nem constipada nem me sinto doente.

No entanto, na última semana estive com várias pessoas que estão com gripe, que acabaram de sair de uma gripe ou que estão a sofrer as consequências de terem tido uma gripe seguida de uma infecção bacteriana que as levou a tomar antibiótico, e que estão doentes há várias semanas. Isto para não falar das pessoas que “sabem” que é mais do que certo que vão apanhar gripe porque estamos no tempo dela.

Também estive com uma pessoa no ginásio que, com febre, tomou paracetamol para poder ir treinar; outra, no trabalho, que fez o mesmo para poder ir trabalhar; e outra que também recorreu a medicação para sair à noite e se divertir.

Isto fez-me reflectir sobre o que nos pede uma doença como a gripe:

  • parar: porque o corpo está a concentrar a energia no despoletar de mecanismos que controlem o vírus e precisa que outro tipo de solicitações sejam reduzidas ao mínimo.
  • Descansar: porque é isso que o corpo pede (ele fala tão bem!) e talvez a gripe até só tenha conseguido vingar no nosso organismo devido a falta de descanso e a não escutarmos as suas necessidades. A gripe pede-nos cama e dormir; que assim seja.
  • Simplificar a alimentação ou não comer: pelos mesmos motivos anteriores, deixar descansar o sistema digestivo que consome tanta energia. Uma criança, que ainda sabe escutar o corpo, recusa imediatamente alimentos, escolhe criteriosamente o que quer e reduz a quantidade ingerida ao mínimo.
  • Definir prioridades: porque face à possibilidade das complicações graves associadas à gripe, que até nos podem levar a um internamento hospitalar ou morte, ir ao ginásio, ir trabalhar ou sair à noite adquirem o seu real valor. Para poder parar, descansar e simplificar a alimentação, é mesmo necessário definir prioridades e fazer escolhas.
  • Evitar condições extremas: porque um corpo que está a concentrar todo o esforço em voltar ao equilíbrio e não o conseguirá fazer se continuarmos a proporcionar-lhe momentos de desequilíbrio como cansaço extremo, falta de horas de sono, frio, refeições pesadas, …
  • Dar tempo: porque uma gripe não passa de um dia para o outro, e isso é fantástico. Ela precisa de tempo talvez porque raramente temos tempo para manter hábitos que nos ajudem a que ela não se instale e faça do nosso corpo a sua casa.
  • Retomar hábitos de saúde: porque tudo o que escrevi antes são coisas que nos ajudam a manter a saúde, principalmente nesta estação do inverno: descanso apropriado, comer de forma simples, definir prioridades, evitar levar o corpo a limites e dar tempo.

Já tinha falado sobre gripe este ano, e até deixei a receita da sopa de miso. Quando se está com gripe, os caldos de legumes com miso são uma excelente opção.

Tarte salgada de abóbora

Esta semana o meu filho mais novo perguntou-me qual é o meu vegetal preferido e eu não fui capaz de responder.

Gosto de tantos e gosto de os cozinhar de forma tão diferentes, que seria impossível escolher um só. Gosto dos mais doces, dos mais amargos, dos ácidos e dos picantes. Gosto de vegetais crus, ou levemente escaldados, ou cozidos, ou estufados… Gosto das preparações simples e das mais sofisticadas.

A receita de hoje tem por base abóbora. Nesta altura a abóbora é a rainha de muitos dos meus pratos. No entanto esta tarte pode ser confeccionada com o que temos no frigorífico. Podem juntar espinafres ou até uns grelos de nabo, resto de feijão ou grão cozido, algum cereal que sobrou…. Com o que temos em casa é possível fazer um prato novo que tanto serve para um lanche como para um almoço simples.

Ingredientes para a base

  • Farinha de espelta (ou de trigo) semi-integral: 2 chávenas de chá
  • Água ½ taça
  • Azeite (ou óleo de girassol): ½ taça
  • Sal: 1 colher de chá
  • Orégão seco: 1 colher de chá (ou a gosto)

Preparação da base

  • Juntar todos os ingredientes. Deverá obter uma massa moldável. Caso isso não aconteça, junte um pouco mais de água ou de farinha até isso acontecer.
  • Reserve no frigorífico, numa caixa fechada.

Ingredientes para o recheio

  • Abóbora Hokkaido ou cabacinha ralada: 200g (cerca de 1/3 de uma abóbora)
  • Cenoura ralada (ou mais abóbora): 100g
  • Cebola roxa: 120g (duas médias)
  • Cogumelos marron laminados: 100g (guardar alguns inteiros para enfeitar)
  • Natas de aveia: 1 pacote (escolham natas espessas)
  • Amido de milho: 3 colheres de sopa
  • Azeite: 2 colheres de sopa
  • Miso branco : 1 ou 2 colheres de sopa
  • Vinagre de ameixa Umeboshi (opcional): 1 colher de sopa
  • Sal: q.b
  • Orégão a gosto

Preparação do recheio

  • Arranje todos os vegetais: cenoura em juliana, abóbora ralada, cogumelos laminados, cebola em meias luas finas.
  • Pré-aqueça o forno a 180ºC.
  • Coloque num tacho o azeite e salteie a cebola até começar a ficar translucida.
  • Coloque a massa numa tarteira com cerca de 24 cm de diâmetro e faça uns furos com o garfo e leve ao forno durante 15 minutos.
  • Durante esse tempo, junte os restantes vegetais à cebola com uma pitada de sal e deixe refogar em lume brando, com o tacho tapado, durante 10 minutos.
  • À parte bata as natas com o amido de milho, a miso branco e o vinagre de ameixa.
  • Junte as natas aos vegetais e deixe engrossar um pouco, mexendo sempre.
  • Retire a base do forno, coloque o recheio, enfeite com os cogumelos reservados e leve ao forno por mais 20 minutos, até começar a dourar.
  • Come-se bem fria com uma salada ou quente a acompanhar cereal e outros vegetais.

Estás mesmo à espera do Ano Novo? … e uma receita com pão da Mil Grãos

Estive para dar este título ao artigo de hoje: Se um segundo pode fazer a diferença na tua vida, imagina um ano inteiro?

E depois mudei para: Terminar o Ano a falar do que me apaixona… a Terra, o pão, a macrobiótica, o mindfulness/heartfulness e… sustentabilidade, amor, ecologia, saúde integral, espiritualidade, família/comunidade, fermentados (não necessariamente por esta ordem e faltam algumas coisas).

Pão de trigo semi-integral, 24h de levedação, feito com massa mãe (sourdgouh)

Os títulos eram grandes e o que eu queria era mesmo perguntar se estás à espera do Ano Novo e para quê. Faz sentido esperar pelo dia 1 de um mês/ano para fazer aquilo que adias/anseias há tanto tempo? Vai e faz ainda hoje!!! Planeia, semeia, faz o que for preciso, mas não esperes por dia 1 de Janeiro.

Pediram-me uma receita com pão. O Pão da Mil Grãos foi/é um dos meus desafios de 2018, um caminho de aprendizagem: pelas pessoas que entraram/saíram da minha vida por causa dele, pelo Amor a esta arte, pelo vencer o medo de fazer pão bom para pessoas que não são amigos nem família, pela gratificação de ver “intolerantes a glúten” voltarem a comer pão sem sentirem desconforto no sistema digestivo, pelo desafio de ensinar pessoas a fazer pão bom com o que têm em casa: farinha comum, forno comum, frascos comuns, taças comuns, panos comuns…

Prometo publicar mais receitas com pão. Vou testar a minha receita de Pudim de Pão vegan e fica prometida uma publicação com ela.

A receita de hoje é muito simples, mas precisa de ser feita com ingredientes bons: pão, azeite e alho. Se puderem: utilizem alhos biológicos (não usem alhos desses gigantes e sem sabor); utilizem um bom azeite virgem (não usem azeite duvidoso, engarrafado em garrafas plásticas), utilizem apenas pão de levedação lenta e massa mãe (não usem o pão que tem melhorantes, fermentos e químicos sem fim). Vão ver que com muito menos quantidade de comida se sentem muito mais nutridos.

Migas com coentros

Ingredientes

  • Amor/tempo/entrega – muito
  • Pão – 500 g (dormido/recesso/do dia anterior)
  • Cebola – 1 (Pequena)
  • Alho – 1 cabeça média
  • Azeite – 5 colheres de sopa
  • Coentros picados – 1 ramo (a gosto)
  • Água – a gosto (+/- 500ml)
  • Pimenta – a gosto (opcional)
  • Sal – a gosto

Preparação

  • Corte o pão em cubos e reserve.
  • Pique os coentros e reserve.
  • Descasque os dentes de alho e a cebola e pique-os finamente.
  • Coloque o azeite num tacho e junte a cebola e alhos picados. Mantenha em lume médio para não queimarem (se necessário acrescente uns pingos de água).
  • Deixe refogar 7-8 minutos mexendo cuidadosamente, até a cebola focar translúcida.
  • Enquanto faz o refogado, ferva a água com uma colher de chá de sal e deite-a sobre o pão. Reserve.
  • Desligue agora o refogado e retire o alho e a cebola para um prato. Reserve.
  • Com as mãos retire o excesso de líquido do pão e acrescente-o ao azeite que ficou no tacho; volte a colocar em lume médio cozinhe um pouco até começar a secar.
  • Junte o alho e a cebola e mexa para envolver. Rectifique o sal. Neste momento pode ou não acrescentar um pouco de pimenta.
  • Desligue e junte agora os coentros picados. Envolva bem. Rectifique a água ao seu gosto (as migas podem ser mais ou menos secas).
  • Sirva de imediato, bem quente, com mais alguns coentros e um fio de azeite a enfeitar.

Boas notícias: vou fazer mais dois WS de Pão da Mil Grãos, dia 13 e dia 20 de Janeiro. Podem contactar-me através do email: dezmilgraos@gmail.com

Natal, Inverno e Esperança

Noite mais longa e dia mais curto do ano de 2018, 21 de Dezembro Solstício de Inverno, Yule.
Estamos no momento em que a energia está latente, flutuante, quase parada externamente, mas com movimento interno. Externamente quase nada se vê da vida que existe e pulsa por dentro.
Deste movimento interno nascerá, daqui a pouco tempo, vida nova. É de raízes profundas, de alimento interno, que se faz o movimento externo quando os dias forem longos e as noites curtas. É do que foi semeado e do que se está a fortalecer internamente que teremos folhas e frutos. Tudo a seu tempo.
Abençoados Ciclos, abençoado movimento constante que permite que a vida se renove.

Hoje não vos trago uma receita. Convido-vos a parar e a refletir sobre as sementes que estão a ser (ou já foram) semeadas por vós e que ainda não germinaram. Essas sementes estão cheia de vida em potencial, assim como os grãos que estão no Solo a aguardar as condições ideais para nascerem. Não estão mortos, são sonhos e projetos em potencial, tal como uma semente de mostarda que guarda em si uma árvore. Um Grão, Dez Mil Grãos.

O Natal, mesmo para quem não é Cristão, terá sempre o simbolismo associado a Esperança. Porque é disso que trata o nascimento do tão esperado Rei que libertaria o Povo escravizado pelos romanos. É de Esperança. Um bebé ainda não significaria nada, mas trouxe Esperança, era o Messias, o Prometido.

No Solstício, a celebração é das trevas, da escuridão que antecede e antecipa a chegada da Luz. E o que existe é a Esperança de que essa Luz venha, de que os dias se tornem maiores e de que se sobreviva a mais um Inverno.

Em relação à alimentação nesta altura: comam o mais parecido que vos for possível com a vossa família. Se todos forem macrobioticos, vegan e não comerem açúcar, ótimo. Se não, façam as melhores escolhas em relação ao que está mesa. Não julguem e não se melindrem com a preocupação daqueles que vos amam. Que possam fazer opções diferentes, mas acima de tudo que possam estar em família.


Amor 

<3

Torrão de chocolate e amendoim (vegan e sem açúcar)

Fiz este torrão de chocolate e amendoim no Workshop de Doces de Natal e pediram-me para partilhar a receita. Como queria dar mais ideias para prendas feitas por vós, tal como fiz na semana passada com estas bolachas de amêndoa e gengibre https://milgraos.pt/2018/12/07/bolachas-de-amendoa-e-gengibre-vegan/, decidi partilhar a receita do torrão de chocolate, por ser também uma opção de prenda fácil de preparar e muito saborosa.

Típico em Espanha, mas muito apreciado por nós, é particularmente consumido nesta época do ano.

Nas minhas memórias de criança, no Natal comia coisas que raramente estavam disponíveis nas outras alturas do ano. Sim, ainda sou do tempo em que não se comia chocolate todos os dias e os amendoins também não faziam parte da alimentação do dia a dia. Eram um mimo que sabiamente apenas comíamos em dias especiais.

Esta é mais uma receita que faz uma prenda de Natal maravilhosa, para os amantes de amendoim e de chocolate é a prenda ideal.

Também é uma boa opção de gulodice na mesa de Natal, para quem possa comer este tipo de alimentos à sobremesa. Se quiserem, é possível substituir o amendoim por amêndoas ou avelãs, e a manteiga de amendoim por manteiga de outras oleaginosas. Podem ainda colocar 3 pingos de óleo essencial de hortelã pimenta se gostarem do sabor a after eight. 

Segue a receita.

Ingredientes

  • Manteiga de Cacau Cru: 100g
  • Cacau em pó: 60g
  • Manteiga de amendoim: 100g
  • Amendoins torrados e descascados: 75 g (ou mais, se gostar)
  • Baunilha: 1 pitada
  • Geleia de Arroz: 8 c. de sopa
  • Sal Marinho integral: ½ c. café 


Preparação:

  • Coloque a manteiga de cacau num tacho e leve a derreter em banho maria.
  • Parta os amendoins grosseiramente e reserve.
  • Sem retirar a água quente por baixo do tacho da manteiga derretida, junte o cacau a pitada de sal e dissolva mexendo bem.
  • Junte a geleia de arroz aos poucos e quando estiver incorporada, retire o tacho do banho maria.
  • Junte a manteiga de amendoim mexendo bem e em seguida os amendoins reservados e a baunilha.
  • Coloque numa forma forrada, ou num molde de silicone e leve ao frio pelo menos 2h, no entanto deve ser feito de véspera.
  • Corte em quadrados e coloque dentro de um frasco para oferecer ou num prato de servir para colocar na Mesa de Natal.

Bolachas de Amêndoa e Gengibre (vegan)

Na Mil Grãos já cheira a Natal:)

E quando se aproxima o Natal o tema “prendas” faz-se presente no nosso espírito. Queremos mimar as pessoas que amamos e que estiveram mais presentes na nossa vida no ano que está quase a terminar.

As melhores prendas são aquelas que são feitas por nós tendo a mente e o coração cheio da pessoa a quem as vamos oferecer.

E a receita de hoje é a pensar em todos aqueles que gostariam de oferecer umas bolachas com especiarias tão próprias desta altura, a amigos especiais.

Podem adaptar a receita para crianças pequenas, diminuindo ou retirando na totalidade as especiarias.

Depois de feitas, basta colocar em frascos de vidro, com uma etiqueta bonita e um lacinho. Imagino a cara dos vossos amigos e familiares ao receber um frasco com estas bolachas.

Esta receita leva, opcionalmente, uma colher de sopa de melaço de cana integral. Este ajuda a que as bolachas fiquem com o sabor característico. O melaço não é um alimento para consumir frequentemente. No entanto, face aos alimentos feitos a partir da cana de açúcar é o mais ricos em minerais, nomeadamente ferro, magnésio, cálcio, e vitaminas do grupo B.

Ingredientes secos:

  • 2 chávenas de farinha de espelta ou de trigo
  • 1/2 chavena de amêndoa ralada finamente
  • 5 g de fermento para bolos
  • 1 colher de café de baunilha em pó
  • 2 colheres de café de gengibre em pó
  • 1 colher de café de canela em pó
  • 1 colher de café de cardamomo em pó (opcional)
  • Pitada de cravinho moído (opcional)

Ingredientes líquidos:

  • ½ chávena de óleo de grainha de uva ou de girassol (desodorizado)
  • 2 colheres de sopa de pasta/manteiga de amêndoa
  • ¾ chávena de malte de cevada
  • 1 colher de sopa de melaço de cana integral (opcional)
  • ¼ chávena de bebida de arroz (esta serve para ajustar a consistência, pode não ser necessário acrescentar nenhum leite)

Preparação:

  • Pré-aqueça o forno a 180oC.
  • Junte todos os ingredientes secos e faça uma mistura homogénea.
  • Junte o óleo e os restantes ingredientes, guardando a bebida de arroz para o final, caso seja necessária. Pretende-se que a massa fique moldável.
  • Estenda a massa com a ajuda do rolo da massa, de forma a ficar com uma espessura de ½ cm.
  • Corte com formas ou em bolachinhas quadradas com a ajuda de um corta-pizza.
  • Coloque num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve ao forno a 170oC até dourarem (10-15 minutos).
  • Deixe arrefecer antes de guardar numa caixa de vidro hermética.

Creme de feijão frade com brócolos salteados

Nesta altura do ano adoro comer sopa. É mesmo um alimento de conforto indispensável.

No entanto, a sopa leva vegetais muito cozinhados, que têm menos vitaminas, e é bom misturar, no momento de servir, uns vegetais crus que cozem só com o calor da sopa (agrião, folhas de espinafre tenras, rúcula, canónigos, …) ou vegetais salteados ou cozidos no vapor no momentos (lombado em juliana, brócolos, couve de caldo verde).

O feijão que produziu mais este ano por aqui foi o feijão-frade 🙂 Por isso tenho-o usado de várias formas.

E como na Mil Grãos partilhamos aquilo que comemos e sai sempre bem, aqui vai a sugestão da sopa de hoje.

Ingredientes (para 6 pessoas):

  • Feijão frade cozido: 1 taça de 250ml
  • Cebolas: 3 médias (cerca de 300g)
  • Cenouras: 4 médias (cerca de 400g)
  • Nabo: 1 pequeno (60g sem casca)
  • Batata doce: 1 (100g)
  • Água de cozer o feijão frade: q.b.
  • Sal marinho integral: a gosto
  • Azeite (opcional): 2 colheres de sopa

Preparação

  • Arranje todos vegetais, descasque e parta em pedaço pequenos.
  • Salteie-os em duas colheres de sopa de azeite (opcional) e depois acrescente o feijão frade já cozido e água suficiente para cobrir (se não tiver água de cozer que chegue, junte água simples).
  • Deixe começar a ferver, reduza o lume e mantenha tapado por cerca de 25 minutos.
  • Desligue, reduza a puré e sirva quentinha com os brócolos salteados (veja a receita dos brócolos salteados no final).

Há imensas vantagens em comer brócolos, como podem ler aqui:

Brócolos Salteados (e como aproveitar todos os benefícios deste alimento)

 

Doce de cacau e bolacha (vegan e sem açúcar)

Hoje a receita é de doce. Este doce está no livro da Geninha Varatojo, “Tudo o que comemos conta”, que é um dos meus livros de culinária preferidos.

Fiz um video de 1 minuto para verem como é fácil:

Doce de cacau e bolacha

Ingredientes:

  • Leite de arroz e cacau (ou leite de arroz e 3 colheres de sopa de cacau): 1 l
  • Farinha de araruta (ou amido de milho): 3 c. sopa
  • Agar-agar em pó: 1 ½ c. de sopa
  • Geleia de arroz: 6 c. de sopa
  • Chocolate 100%: 80g
  • Pasta/manteiga de amêndoa: 1 c. de sopa
  • Sal: pitada
  • Canela: 1 colher de café
  • Bolachas sem açúcar: a gosto
  • Baunilha (opcional): 1 c. de café

Preparação:

  • Junte num tacho o leite a farinha de araruta (pode ser amido de milho), o agar-agar, a canela, a pasta de amêndoa o sal e a baunilha. Envolva tudo.
  • Leve ao lume, mexendo sempre, até levantar fervura, mexa por mais 2 minutos.
  • Junte o chocolate e a geleia de arroz, deixe que volte a ferver.
  • Coloque num tabuleiro de vidro (pirex) uma camada de bolacha, uma do preparado de chocolate e repita a operação até já não restar nenhum líquido.
  • Deixe arrefecer e leve ao frigorífico 2h antes de servir.
  • Sirva polvilhado de canela ou raspas de chocolate.

Feijão azuki com abóbora (e como fazer uma marmita equilibrada e deliciosa)

Hoje falo de um feijão que foi introduzido no Ocidente pela Macrobiótica: o Feijão Azuki.

Quem já viu o filme Uma Pastelaria em Tóquio”, lembra-se que o recheio dos Dorayaki(a)  eram feitos com uma pasta de feijão azuki doce.

No filme, Tokue(b) fala destes feijões de uma forma tão bonita e trata-os com deferência e cuidado, enquanto ensina Sentaro(c) a fazer um recheio para os Dorayaki de sabor inigualável,  (chorei “baba e ranho” nessa cena do filme e em muitas outras…).

Este feijão cresce muito bem no nosso clima (que tem parecenças com o clima Japonês) e tem propriedades terapêuticas para os rins, a ponto de se fazer chá de feijão azuki para os reforçar e tratar. Mais do que falar de que é rico em fibra e em proteína, gostava que o vissem e sentissem como é forte, contraído, pequenino (e lindo).

Mas vamos falar também de marmitas. Eu trago todos os dias a minha marmita para o trabalho. Desta forma:

  •  sei o que como,
  • consigo variar imenso e
  • poupo dinheiro em refeições de qualidade duvidosa.

Para a fazer uma marmita coloco habitualmente um cereal, vegetais cozinhados de diversas formas e uma leguminosa ou derivados desta. Gosto de colocar as coisas separadamente e gosto de trazer numa caixa à parte vegetais crus e/ou chucrute. Insisto em trazer sempre algum vegetal doce na marmita (abóbora, cenoura, cebola caramelizada, batata doce), para não me apetecer nem café nem sobremesa no final.

Numa das marmitas desta semana levei a receita que partilho hoje. Não estranhem por ela não ter pimenta, cominhos, caril, … É uma receita que aprendi no IMP(d) para ser feita para pessoas com problemas degenerativos e que devem comer comida mais limpa, e que eu simplesmente adotei como receita a repetir muitas vezes, principalmente quando o tempo arrefece e as abóboras são doces.

Na marmita, para além do feijão azuki com abóbora, levava também arroz integral com gomásio (com pouco sal), couve portuguesa escaldada, agrião salteado. Na minha marmita coloco sempre mais verdes, na do meu marido mais cereal e estufado de feijão.

E aqui fica a receita:

Feijão Azuki com abóbora

Ingredientes

  • Feijão Azuki: 1 chávena de chá
  • Abóbora Hokkaido (ou manteiga/cabacinha) cortada em cubos pequenos: 3 chávenas
  • 1 tira de alga Kombu (3 a 6 cm)
  • Sal qb
  • Azeite (opcional): 1 colher de sopa
  • Cebolinho para servir (opcional)

Preparação:

  • Lave e demolhe o feijão durante 12h.
  • Ao fim desse tempo, escorra o feijão e demolhe a alga Kombu durante 10 minutos.
  • Coloque a alga Kombu no fundo de uma panela, depois a abóbora e por cima o feijão, cubra generosamente com  água e leve ao lume forte.
  • Quando começar a ferver reduza a chama e deixe cozinhar com a panela tapada. Vá verificando a água e, caso seja necessário, acrescente mais um pouco de água. Repita as vezes que forem necessárias.
  • Quando o feijão estiver macio, adicione sal, tempere com um pouco de azeite (se puder comer gorduras) e deixe cozer mais 10-15 minutos.
  • Sirva com cebolinho ou outra erva fresca.

(a) duas panquecas recheadas com doce de feijão azuki

(b) a senhora de idade já avançada e com problemas de saúde

(c) o pasteleiro

(d) Instituto Macrobiótico de Portugal