Barritas Energéticas

Estas barritas de aveia são uma constante cá em casa. Faço-as tantas vezes que já nem consulto a receita, e às vezes em vez de amêndoas ponho amendoim ou avelãs, em vez de flocos de aveia grossos coloco flocos de espelta, em vez de alperces coloco figos… É adaptável a gostos pessoais, desde que as proporções sejam as mesmas.

Os ingredientes são bastante energéticos, pelo que estas barritas são para ser consumidas com moderação. A menos que se esteja em fases de crescimento acelerado (crianças, adolescentes) ou se tenha um gasto calórico acentuado (atletas, pessoas com um trabalho físico intenso,…) é que se pode comer o tabuleiro todo:) No entanto, esta opção é muito mais saudável do que qualquer bolacha produzida pela indústria alimentar, e trazer uma caixinha hermética com duas ou três na minha mala já me permitiu aguentar várias horas de espera quando não tenho possibilidade de sair para comer.

Aqui vai a receita:

Ingredientes

  • Flocos de aveia (ou outro cereal) grossos: 100g
  • Flocos de aveia (ou outro cereal) finos: 60g
  • Amêndoas laminadas: 100g
  • Alperces desidratados: 100g
  • Geleia de arroz: 100g
  • Farinha de espelta ou trigo: 2 colheres de sopa
  • Óleo de grainha de uva ou côco ou girassol: 40g
  • Côco ralado: 25g
  • Limão: raspa de meio
  • 1 colher de chá canela (ou a gosto)
  • 1 pitada de sal
  • bebida vegetal ou água: 2 colheres de sopa

Preparação:

  • Pré-aqueça o forno a 180º.
  • Parta as amêndoas e os alperces em pedaços pequenos.
  • Junte as amêndoas e os alperces a todos os ingredientes secos, envolvendo bem com a farinha.
  • Acrescente o óleo, a geleia e mexa até a massa se tornar homogénea.
  • Se a mistura não estiver homogénea, acrescente as duas colheres de sopa de bebida vegetal ou de água.
  • Forre um tabuleiro com papel vegetal e espalhe a massa com a ajuda das mãos humedecidas em água, ou a parte de trás de uma colher de sopa, também humedecida.
  • Leve ao forno, baixe a temperatura para 170º, até dourar.
  • Retire do forno e parta em barras ainda mornas.
  • Os pedacinhos que se soltarem guarde num frasco e use como granola misturados num iogurte vegetal.
  • Deixe arrefecer e guarde numa caixa hermética, para permanecerem estaladiças

Estás mesmo à espera do Ano Novo? … e uma receita com pão da Mil Grãos

Estive para dar este título ao artigo de hoje: Se um segundo pode fazer a diferença na tua vida, imagina um ano inteiro?

E depois mudei para: Terminar o Ano a falar do que me apaixona… a Terra, o pão, a macrobiótica, o mindfulness/heartfulness e… sustentabilidade, amor, ecologia, saúde integral, espiritualidade, família/comunidade, fermentados (não necessariamente por esta ordem e faltam algumas coisas).

Pão de trigo semi-integral, 24h de levedação, feito com massa mãe (sourdgouh)

Os títulos eram grandes e o que eu queria era mesmo perguntar se estás à espera do Ano Novo e para quê. Faz sentido esperar pelo dia 1 de um mês/ano para fazer aquilo que adias/anseias há tanto tempo? Vai e faz ainda hoje!!! Planeia, semeia, faz o que for preciso, mas não esperes por dia 1 de Janeiro.

Pediram-me uma receita com pão. O Pão da Mil Grãos foi/é um dos meus desafios de 2018, um caminho de aprendizagem: pelas pessoas que entraram/saíram da minha vida por causa dele, pelo Amor a esta arte, pelo vencer o medo de fazer pão bom para pessoas que não são amigos nem família, pela gratificação de ver “intolerantes a glúten” voltarem a comer pão sem sentirem desconforto no sistema digestivo, pelo desafio de ensinar pessoas a fazer pão bom com o que têm em casa: farinha comum, forno comum, frascos comuns, taças comuns, panos comuns…

Prometo publicar mais receitas com pão. Vou testar a minha receita de Pudim de Pão vegan e fica prometida uma publicação com ela.

A receita de hoje é muito simples, mas precisa de ser feita com ingredientes bons: pão, azeite e alho. Se puderem: utilizem alhos biológicos (não usem alhos desses gigantes e sem sabor); utilizem um bom azeite virgem (não usem azeite duvidoso, engarrafado em garrafas plásticas), utilizem apenas pão de levedação lenta e massa mãe (não usem o pão que tem melhorantes, fermentos e químicos sem fim). Vão ver que com muito menos quantidade de comida se sentem muito mais nutridos.

Migas com coentros

Ingredientes

  • Amor/tempo/entrega – muito
  • Pão – 500 g (dormido/recesso/do dia anterior)
  • Cebola – 1 (Pequena)
  • Alho – 1 cabeça média
  • Azeite – 5 colheres de sopa
  • Coentros picados – 1 ramo (a gosto)
  • Água – a gosto (+/- 500ml)
  • Pimenta – a gosto (opcional)
  • Sal – a gosto

Preparação

  • Corte o pão em cubos e reserve.
  • Pique os coentros e reserve.
  • Descasque os dentes de alho e a cebola e pique-os finamente.
  • Coloque o azeite num tacho e junte a cebola e alhos picados. Mantenha em lume médio para não queimarem (se necessário acrescente uns pingos de água).
  • Deixe refogar 7-8 minutos mexendo cuidadosamente, até a cebola focar translúcida.
  • Enquanto faz o refogado, ferva a água com uma colher de chá de sal e deite-a sobre o pão. Reserve.
  • Desligue agora o refogado e retire o alho e a cebola para um prato. Reserve.
  • Com as mãos retire o excesso de líquido do pão e acrescente-o ao azeite que ficou no tacho; volte a colocar em lume médio cozinhe um pouco até começar a secar.
  • Junte o alho e a cebola e mexa para envolver. Rectifique o sal. Neste momento pode ou não acrescentar um pouco de pimenta.
  • Desligue e junte agora os coentros picados. Envolva bem. Rectifique a água ao seu gosto (as migas podem ser mais ou menos secas).
  • Sirva de imediato, bem quente, com mais alguns coentros e um fio de azeite a enfeitar.

Boas notícias: vou fazer mais dois WS de Pão da Mil Grãos, dia 13 e dia 20 de Janeiro. Podem contactar-me através do email: dezmilgraos@gmail.com

Creme de Millet com abóbora Hokkaido.

Talvez este seja um dos meus pequenos almoços preferidos… Não consigo decidir entre o creme de arroz e o creme de millet com abóbora. Agora fiquei mesmo a pensar nisto. Nada como começar a escrever receitas para nos lembrarmos de como é difícil escolher entre dois pequenos almoços tão booonnsss.

A receita:)

Ingredientes:

  • Millet: 1 chávena de café
  • Casca de limão: uma tira
  • Abóbora Hokkaido: 1 fatia pequena
  • Raspa de laranja: uma pitadinha (para não ficar com gosto/aroma muito intenso)
  • Sal marinho: 1 colher de café rasa
  • Alga Kombu (opcional): um quadradinho pequeno
  • Geleia de arroz:  1 colher de sopa (evitar usar mais, eu nem coloco nenhuma, mas para quem estiver em transição, a deixar de comer açúcar, é mesmo melhor colocar geleia)
  • Para topping: canela, frutos secos, passas de uva, côco ralado, cacau em pó… ( a gosto, ou conforme a sua condição assim o permita).

Preparação:

  • Lave o millet (pode deixar demolhado do dia anterior com a alga).
  • Escorra o millet e coza-o com a abóbora cortada em cubos, a alga e a casca de limão, durante 20 minutos em tacho tapado, com uma proporção de 1 chávena de millet para 6-7 chávenas de água (se o millet tiver sido demolhado use 6 de água, caso contrário use 7 de água).
  • Retire a casca de limão, junte a geleia, a raspa de laranja e triture com a varinha mágica até obter um creme delicioso. Se gostar de um creme mais líquido pode adicionar um pouco de bebida vegetal ou mais água.
  • Sirva numa taça com o topping que mais gostar.

Nota: bom para o estômago/baço/pâncreas. Ajuda a alcalinizar o sistema digestivo e a manter os níveis de glicose no sangue mais estáveis.

Millet com abóbora e couve-flor

Já notaram que estamos a caminho do Outono? Na Macrobiótica, esta fase de transição entre o Verão e o Outono (Verão tardio ou longo) tem associada uma Transformação ou Elemento: o Solo (1) .

Na natureza os sinais são mesmo notórios: os dias estão mais pequenos e as noites mais longas, recolhem-se as abóboras e as leguminosas de sequeiro, muitas árvores soltam as suas folhas e já não têm fruta. O movimento de recolha da Natureza, indica que também nós devemos começar a recolher (ir para “dentro”). Se nesta fase ainda está cheio de vontade de passar o dia todo na praia e as noites em festas, talvez devesse refletir um pouco e observar os sinais que a Natureza começou a dar já em meados de Agosto.

Há um cereal particularmente benéfico para os Órgãos que estão associados a esta Transformação Solo, que são o Estômago e Baço/Pâncreas. O cereal é o Millet (ou milho painço, ou milho miúdo). É usado tradicionalmente para tratar problemas associados a estes órgãos, particularmente diabetes e acidez no estômago.

O Millet é o único cereal alcalino, não tem glúten e é rico em magnésio, fósforo e vitaminas do complexo B, entre outras(2).

Um dia destes escrevo mais sobre estes assuntos das Transformações e particularmente sobre cada uma. Agora vamos à receita, que desta vez é com Millet e dois vegetais redondos que também estão associados à Transformação Solo.

Para mim, esta é uma das melhores formas de preparar um acompanhamento com este delicioso cereal. Eu costumo dizer que “comia isto todos os dias”, tal é o equilibrio que trás ao meu dia a dia.

Só uma nota final: pode fazer-se este mesmo prato ou só com abóbora ou só com couve-flor (se fizerem só com couve-flor ponham o dobro ou o triplo da quantidade). Nas fotografias o cereal é o Millet e fiz exatamente esta receita (a acompanhar está um estufado de feijão preto, agrião salteado e chucrute).

Ingredientes:

  • Millet: 1 chávena
  • Abóbora Hokkaido: 2 chávenas
  • Couve-flor: 1 chávena
  • Água quente: 3 chávenas
  • Azeite: 1 colher de sopa
  • Sal: 1 colher de sobremesa rasa

Preparação:

  • Corte a abóbora e a couve flor em cubos pequenos e reserve.
  • Passe o millet por água e reserve num escorredor.
  • Coloque o azeite num tacho e leve ao lume junto com a abóbora e a couve flor. Deixe saltear durante 5 minutos em lume médio, mexendo ocasionalmente.
  • Acrescente o millet e deixe saltear um pouco sem água. Mexa para não pegar.
  • Deite a água pré-aquecida devagar para não transbordar, tempere com sal, mexa e tape.
  • Coza durante 20 minutos em lume brando.
  • Desligue, solte o millet com um garfo, tape de deixe estar mais 10 minutos antes de servir.

(1) Na MTC o nome dado a este elemento é Terra e não Solo.

(2) Composição e valor nutricional do Millet: https://ndb.nal.usda.gov/ndb/search/list (pesquisar por millet, raw) e benefícios para a saúde: http://www.jsirjournal.com/Vol5_Issue2_04.pdf

Hamburger de millet, cenoura e milho doce

Estamos a entrar na transição entre o Verão e o Outono. Isso significa que estamos em transição de dois Elementos de características muito diferentes, Fogo e Metal. Como que para suavizar esta transição temos o Elemento Solo.

Aos poucos vamos começar a sentir necessidade de abrandar e voltar a casa de forma física e de forma emocional. É importante que este retorno se faça, para que os órgãos relacionados com esta transformação, estômago, baço e pâncreas, não sejam lesados, e para que a chegada do Outono seja tranquila.

O cereal que devemos privilegiar nesta transição é o millet ou milho painço. Neste momento é fácil encontrar este cereal à venda e também encontrar muitas receitas em que ele está presente. É o cereal por excelência para tratar o estômago e eu uso e abuso dele em momentos de transição, mesmo na minha vida pessoal.

Eu uso restos de millet muitas vezes para ligar hamburgueres ou para fazer croquetes. Esta partilha veio no seguimento de uma dessas aventuras, em que resolvi fotografar o resultado. São ótimos, deliciosos, maravilhosos. A receita, variando um ingrediente por outro e mantendo as proporções, está mais do que testada. Sai sempre bem.

Estes hamburgueres também dão um excelente lanche ou snack.

Hamburguer de millet, cenoura e milho doce

Ingredientes

  • Millet cozido: 1 ½  chávenas de chá
  • Milho (ou ervilhas cozidas): 1 chávena de chá
  • Courgette ralada: 1 chávena de chá
  • Cenoura ralada: 1 chávena de chá
  • Alho picado: 1 dente
  • Tahine (pasta de sésamo branca): 2 colheres de sopa
  • Sal: q.b. para temperar
  • Sementes de chia: ¼ chávena de chá
  • Sementes de girassol tostadas: 2 colheres de sopa (opcional)
  • Sementes de sésamo pretas (ou brancas) tostadas: 2 colheres de sopa (opcional)
  • Limão: sumo de ½ (1 colher de sopa)
  • Salsa picada: ½ chávena de chá
  • Azeite: q.b.

Preparação

– Demolhe as sementes de chia em 1/2 chávena de água durante 5 minutos ou até estarem completamente hidratadas, mexendo ocasionalmente para a mistura não ficar demasiado rija.

– Se não tiver sementes de sésamo e de girassol tostadas, toste-as ligeiramente. São opcionais, claro, mas tornam os hamburgueres mais crocantes.

– Junte todos os restantes ingredientes com excepção do azeite. Misture bem de forma a ficar homogéneo (gosto de fazer isto com as mãos).

– Forme hamburgueres com as mãos.

– Pincele uma frigideira anti-aderente com azeite ou óleo de sésamo.

– Frite os hamburgures de ambos os lados em lume médio durante cerca de 3-5 minutos.

 

 

Salada de bulgur integral com alho francês e amêndoas

Nesta altura do ano as saladas sabem mesmo bem. Esta semana tinha alho francês e feijão verde na horta, pouco tempo para preparar um cereal integral e apetecia-me alguma coisa mais leve, mas nutritiva.

As minhas saladas não são de alface… (podem perguntar-me porquê).

Saiu esta receita, feita com Bulgur.

Para quem não conhece, o Bulgur é um derivado do trigo, popular no Médio Oriente e já bastante utilizado na cozinha mediterrânica. No seu fabrico, os grãos de trigo são pré-germinados, cozidos, secos e posteriormente partidos. É menos processado e muito mais nutritivo do que os couscous e faz saladas de Verão bastante agradáveis.

Há Bulgur de espelta, para quem queira evitar o trigo comum.

Salada de Bulgur integral com alho francês e amêndoas

Ingredientes para o Bulgur:

Bulgur integral: 1 chávena de chá

Água: duas chávenas

Sal: 1 colher de chá

Ingredientes para a salada:

Alho francês em juliana: 2 chávenas de chá

Feijão verde em juliana: 1 chávena de chá (opcional)

Amêndoas em palitos: ¾ de chávena de chá

Azeite: duas colheres de sopa

Sal: qb

Salsa picada: 1 chávena (opcional)

Preparação do Bulgur:

– Leve a ferver numa tacho, duas chávenas de água com uma colher de chá de sal e uma chávena de bulgur. Quando ferver, reduza o lume para o mínimo e deixe cozer durante 10 minutos. Ao fim deste tempo, solte o bulgur com um garfo, desligue, volte a tapar e deixe repousar durante 10 minutos.

Preparação da salada:

– Prepare os alho francês e o feijão verde, lavando-os e cortando em juliana muito fina.

– Numa Wok ou tacho, salteie-os durante 5 minutos, em lume um pouco alto.

– Prepare também as amêndoas, que devem ser laminadas e tostadas numa frigideira. Elas devem adquirir um tom dourado e mal atinjam esse tom, devem ser colocadas num prato frio (se ficarem na frigideira, mesmo estando desligada, vão continuar a tostar).

– Reserve uma colher de sopa de amêndoas para enfeitar. Misture as restantes no salteado de vegetais.

– Por último junte o bulgur, envolva bem. Se gostar acrescente salsa picada.

– Sirva enfeitado com as amêndoas que reservou.