Gelatina de limão com Nectarinas

Publiquei esta receita no Instagram da Mil Grãos e pediram-me a receita https://www.instagram.com/dezmilgraosbio/

Creio que vão ficar admirados com a simplicidade da mesma, e ainda mais com o sabor magnífico e capacidade de refrescar que esta gelatina tem. Gosto de variar a fruta que lhe coloco com a fruta que aparece na época do ano em que estou. E aqui, na zona sul de Portugal, já há pêssegos e nectarinas.

Vamos então à receita.

Ingredientes:

  • Sumo de maça (usei biológico): 1 l
  • Agar-agar em pó: 1 colher de sopa
  • Amido de milho ou farinha de araruta: 3 colheres de sopa
  • Geleia de arroz (podem usar outro adoçante natural, mas a geleia é mais suave): 5-6 colheres de sopa
  • Limão: raspa de 1
  • Sal: pitada
  • Bolachas (sem açúcar nem óleo de palma – usei da Finestra Sul Cielo): qb
  • Nectarinas: 5 (maduras e doces)

Preparação:

  • Arranje as nectarinas, lavando-as e cortando-as em meias luas finas.
  • Deite o sumo num tacho e junte a pitada de sal, o agar -agar em pó e o amido de milho (ou farinha de araruta).
  • Mexa bem e leve ao lume, mexendo com frequência.
  • Entretanto forre um pirex com uma camada de bolachas.
  • Quando começar a ferver vai ver que se forma uma ligeira espuma à superfície. Deixe cozer mais 1 minuto em lume brando.
  • Junte a geleia e deixe voltar a levantar fervura.
  • Desligue e junte a raspa de limão, envolvendo bem.
  • Deite agora, com o auxílio de uma concha ou colher de sopa, parte do preparado feito com o sumo com muito cuidado em cima das bolachas dispostas no pirex. Logo que as bolachas estejam cobertas aguarde um pouco para o líquido começar a solidificar (2-3 minutos) e depois junte o restante “sumo” com cuidado.
  • Em cima do sumo coloque as nectarinas reservadas.
  • Aguarde 2h ou mais até arrefecer completamente. Coloque no frigorífico pelo menos mais 2h.

Nota: a refeição foi toda publicada no Instagram e página de FB. Para a semana partilho a receita do caril doce de grão 🙂

Barritas Energéticas

Estas barritas de aveia são uma constante cá em casa. Faço-as tantas vezes que já nem consulto a receita, e às vezes em vez de amêndoas ponho amendoim ou avelãs, em vez de flocos de aveia grossos coloco flocos de espelta, em vez de alperces coloco figos… É adaptável a gostos pessoais, desde que as proporções sejam as mesmas.

Os ingredientes são bastante energéticos, pelo que estas barritas são para ser consumidas com moderação. A menos que se esteja em fases de crescimento acelerado (crianças, adolescentes) ou se tenha um gasto calórico acentuado (atletas, pessoas com um trabalho físico intenso,…) é que se pode comer o tabuleiro todo:) No entanto, esta opção é muito mais saudável do que qualquer bolacha produzida pela indústria alimentar, e trazer uma caixinha hermética com duas ou três na minha mala já me permitiu aguentar várias horas de espera quando não tenho possibilidade de sair para comer.

Aqui vai a receita:

Ingredientes

  • Flocos de aveia (ou outro cereal) grossos: 100g
  • Flocos de aveia (ou outro cereal) finos: 60g
  • Amêndoas laminadas: 100g
  • Alperces desidratados: 100g
  • Geleia de arroz: 100g
  • Farinha de espelta ou trigo: 2 colheres de sopa
  • Óleo de grainha de uva ou côco ou girassol: 40g
  • Côco ralado: 25g
  • Limão: raspa de meio
  • 1 colher de chá canela (ou a gosto)
  • 1 pitada de sal
  • bebida vegetal ou água: 2 colheres de sopa

Preparação:

  • Pré-aqueça o forno a 180º.
  • Parta as amêndoas e os alperces em pedaços pequenos.
  • Junte as amêndoas e os alperces a todos os ingredientes secos, envolvendo bem com a farinha.
  • Acrescente o óleo, a geleia e mexa até a massa se tornar homogénea.
  • Se a mistura não estiver homogénea, acrescente as duas colheres de sopa de bebida vegetal ou de água.
  • Forre um tabuleiro com papel vegetal e espalhe a massa com a ajuda das mãos humedecidas em água, ou a parte de trás de uma colher de sopa, também humedecida.
  • Leve ao forno, baixe a temperatura para 170º, até dourar.
  • Retire do forno e parta em barras ainda mornas.
  • Os pedacinhos que se soltarem guarde num frasco e use como granola misturados num iogurte vegetal.
  • Deixe arrefecer e guarde numa caixa hermética, para permanecerem estaladiças

Amêndoas caramelizadas com geleia de arroz

A receita de hoje tem também um video de 1′ no youtube

Publiquei-a o nao passado no Facebook por altura da Páscoa, mas para que ela não se perca decidi voltar a publicar no Blog. Assim é mais fácil de encontrar.

Para verem como é fácil:)

Esta é uma alternativa muito mais saborosa e saudável do que as amêndoas cheias de açúcar e chocolate que se vendem por aí na Páscoa. Experimentem!
Ficam muito melhores do que as de compra 🙂

Amêndoas Caramelizadas

Ingredientes:

  • Amêndoas: 1 taça
  • Geleia ou Malte/geleia de arroz: 2 colheres de sopa
  • Canela ou cacau a gosto

Preparação:

  • Coloque as amêndoas numa taça, junte a geleia de arroz e envolva.
  • Deite-as num tabuleiro forrado com papel vegetal, polvilhe com canela ou cacau, caso queira, e leve ao forno a 140ºC por 15 minutos ou até ficarem douradinhas.

Notas: Vigie sempre o forno, a geleia tem que “ferver”, para que as amêndoas fiquem sequinhas, depois d e arrefecerem, mas os frutos secos não devem queimar.
As da imagem foram feitas com canela e estavam DE-LI-CI-O-SAS

Pudim de laranja (vegan e sem açúcar)

Fiz este pudim para um Workshop, mas apenas para acompanhar uns queijinhos de figo de amêndoa do Algarve. Não o ensinei no WS porque o meu objetivo foi fazer uma sobremesa típica portuguesa, e este pudim leva um espessante conhecido por agar-agar, que não é tipicamente da nossa cozinha tradicional. Mas prometi partilhar a receita, e aqui está ela.

Pudim de laranja com um queijinho de figo e amêndoa do Algarve

Utilizei casca de laranja seca e triturada até fazer farinha, mas podem utilizar raspa de laranja normal (como vem descrito na receita).

Entretanto, descobri que se consegue fazer o caramelo para forrar a forma de pudim com geleia de arroz. Faz-se da mesma forma como se faz o caramelo de açúcar. Coloca-se na forma a geleia a gosto e deixa-se ferver até fazer espuma e essa espuma começar a ficar acastanhada. Forra-se a forma e deixa-se arrefecer. O método é exactamente igual a caramelo com açúcar.

Para o pudim não ficar com a textura de gelatina, diminui a quantidade de agar agar e aumentei a de amido de milho.

Pudim de laranja

Ingredientes

  • Bebida vegetal de arroz ou aveia (usei da Lima, aromatizada com baunilha): 1 litro
  • Agar agar em pó: 1 e 1/2 colheres de sopa
  • Amido de milho: 5 colheres de sopa
  • Raspa de laranja a gosto
  • Geleia de arroz: 5 colheres de sopa (ou a gosto)
  • Para o caramelo: geleia de arroz a gosto

Preparação

  • Faça o caramelo com a geleia de arroz, colocando-a dentro de uma forma de pudim de inox, levando ao lume e mexendo sempre até a geleia ganhar espuma e essa espuma começar a ficar castanha dourada. Desligue e forre a forma por completo. Deixe arrefecer (o caramelo vai ficar rijo e cobrir toda a forma).
  • Junte os primeiros 3 ingredientes num tacho e leve ao lume mexendo sempre.
  • Quando começar a ferver e surgir na superfície uma “espuma” leve e esbranquiçada, junte a geleia de arroz e deixe que volte a ferver, 1 ou 2 minutos.
  • Junte a raspa de laranja (tenha o cuidado de não raspar nada da parte branca, que é amarga) e mexa até incorporar bem (eu gosto de colocar bastante raspa neste pudim).
  • Deite a mistura na forma de pudim, anteriormente forrada com o caramelo de geleia, e deixe arrefecer.
  • Coloque no frigorífico e, de preferência no dia seguinte, desenforme e sirva com a calda que se formou.

Salada pickelada de Mizuna

A mizuna, também conhecida por mostarda japonesa é uma planta da família das brássicas ou crucíferas. É tradicionalmente muito consumida no Japão mas cada vez mais se encontra no nosso país, uma vez que temos um clima muito semelhante.

Sendo uma crucífera, é reconhecida pelas suas propriedades anti-cancerígenas (1).

Mizuna roxa e verde

Trata – se de uma planta muito resistente, capaz de crescer em praticamente quaisquer condições de calor ou frio. É geralmente utilizada em saladas, mas também pode ser incorporada em vários pratos cozinhados ou pickles. A mizuna é muito rica em nutrientes , antioxidantes e fitoquímicos, tais como o kaempferol, o qual tem propriedades anti – inflamatórias além de inibir a proliferação de células de cancro. Além disso, é muito rica em vitamina K, vitamina A e vitamina C e rica em folato em manganésio. (1)

Do ponto de vista da macrobiótica, como é uma planta picante, estimula os pulmões e intestino grosso (órgãos da transformação metal). Este picante não é igual ao picante das malaguetas, é mais suave e não gera o calor que as malaguetas e alguns pimentos provocam no nosso corpo. É chamado um picante saudável e devemos sempre incluir este sabor à refeição.

Os condimentos picantes (sem recorrer a especiarias nocivas para a saúde) são agrião, cebola crua, gengibre, nabo ou rabanetes ralados, mostarda e algumas ervas selvagens.(2)

No Projeto Romã (de que já falei aqui https://milgraos.pt/2019/02/16/projeto-roma/ há cabazes de hortícolas biológicas todas as semanas. Na semana passada e nesta semana havia no cabaz mizuna, roxa e verde.

Esta planta é cada vez mais comum nos mercados e super-mercados biológicos e também é fácil de cultivar porque é muito resistente, como disse antes.

Eu trouxe da Romã a mizuna acabada de apanhar. Nesta altura do ano ainda não me apetecem saladas cruas, e decidi usar a mizuna numa salada pickelada com mizuna, cebola roxa e beterraba (que já começaram a aparecer). E é a receita que partilho hoje.

Salada pikelada de mizuna, cebola roxa e beterraba.

Salada pickelada de mizuna

Ingredientes:

  • Mizuna: um molho pequeno (depois de cortada deve dar uma taça de 250ml)
  • Beterraba: 1 pequena
  • Cebola roxa: 1 pequena
  • Sal: q.b.
Vegetais depois de pickelados.

Preparação:

  • Comece por lavar a mizuna, a beterraba e descascar a cebola e a beterraba.
  • Pique a mizuna e coloque numa taça.
  • Rale a beterraba e coloque noutra taça.
  • Corte a cebola em meias luas muito finas (se não gostar da cebola
  • Coloque 1/2 colher de café de sal em cada taça e amasse bem, até começar a sentir o líquido a soltar-se dos vegetais. Prove, deve estar ligeiramente salgado, mas não muito (o sabor abaixo da água do mar, para mim).
  • Aguarde pelo menos duas horas.
  • Pode misturar os 3 vegetais ou servir separadamente.

Sugestão de apresentação: salada pickelada, pão com arroz integral da Mil Grãos, queijo Mozzarela Vegan do Projeto Romã.

Nota: o queijo Mozzarela Vegan da Romã é este:

(1) Fazer da Cozinha uma Farmácia

(2) IMP – Francisco Varatojo

Bolo de canela com cobertura de “ovos moles” vegan e sem açúcar

No dia 23 de Janeiro entrámos em período de festas de aniversário. Entre pais e filhos, 5 das 6 pessoas desta casa fazem anos entre 23 de Janeiro e 29 de Março. Só de 29 de Fevereiro (sim, 29) a 29 de Março fazem 4 destas pessoas. A sexta pessoa faz no início de Maio. Até sentimos alívio quando terminam estas festas seguidas, tal como se sente alívio depois do Natal e do Ano Novo:)

Em Janeiro publiquei no Instagram uma fotografia do bolo do primeiro aniversariante. E pediram-me a receita. Prometi que a publicava e hoje cá está ela.

A base deste bolo é muito simples, faz-se com os substitutos normais de ovo e açúcar, e adaptei-a de uma do Marco Fonseca, feita no Instituto Macrobiótico de Portugal.

O recheio e cobertura são conseguidos à custa de abóbora. Quem já veio aos Workshops da Mil Grãos sabe que substituo muitas vezes o doce de ovos por este recheio e que é mesmo, mesmo bom.

As nozes foram caramelizadas primeiro: coloquei numa taça nozes e misturei com geleia de arroz. Depois espalhei-as num tabuleiro forrado com papel vegetal, e levei ao forno a 130ºC até dourarem (a geleia ferve e faz “espuma”, e isso é normal).

Bolo de Canela

Ingredientes secos:

  • Farinha de trigo T55 ou de espelta: 260g
  • Farinha de araruta ou amido de milho: 15g
  • Fermento para bolos: 1 saqueta ou 8g
  • Bicarbonato de sódio: 1 colher de café
  • Canela: 1 c. de sopa rasa

Ingredientes húmidos:

  • Geleia de arroz: 150g
  • Bebida vegetal de arroz: 170g
  • Tâmaras descaroçadas: 50g
  • Óleo de girassol desodorizado: 150g
  • Farinha de linhaça: 1 colher de sopa
  • Sal: pitada
  • Limão: raspa de meio (ou a gosto)
  • Sumo de limão: 1 colher de sopa
  • Sumo de maçã: 50ml

Preparação:

  • Pré-aqueça o forno a 200ºC.
  • Forre uma forma com papel vegetal ou pincele-a com óleo vegetal e polvilhe com farinha.
  • Numa taça junte todos os ingredientes secos e envolva bem.
  • Noutra taça junte todos os ingredientes identificados como húmidos e bata com a varinha mágica até obter uma mistura cremosa e borbulhante. Também pode fazer isto num processador de alimentos ou bimby.
  • Junte os ingredientes húmidos aos ingredientes secos e envolva, sem bater.
  • Coloque a mistura numa forma, baixe a temperatura do forno para 180ºC e coloque o bolo no forno.
  • Ao fim de 30′ verifique se está cozido com um palito. Se estiver retire e deixe arrefecer numa grelha. Se não estiver cozido, deixe ficar mais um pouco de tempo.

Cobertura de abóbora

(Foi feita a olho, já com o bolo frio)

Coloquei abóbora descascada num tacho, com uma película de água no fundo, pitada de sal e pau de canela. Deixei cozer. Retirei o pau de canela e a água em excesso. Juntei raspa de limão e triturei.

Juntei 3 colheres de sopa de geleia de arroz (pode ser mais ou menos, conforme o gosto) e duas colheres de farinha de araruta e uma de chá de agar-agar dissolvidas num pouco da bebida de arroz. Levei de novo a ferver.

Ainda com a cobertura morna (para não solidificar) recheei e cobri o bolo.

Decorei no final com as nozes.

Projeto Romã

Hoje é dia 16 de Fevereiro de 2019 e reabre a quinta/loja do Projeto Romã(1). Este Projeto merece uma publicação num blog de macrobiótica e mindfulness, porque os principios de vida são completamente idênticos aos da macrobiótica e o modo de vida não podia ser mais no momento presente e com todos os valores do mindfulness.

O Projeto Romã é um projeto de vida de um casal, a Tatiana e o Cláudio, que criaram e vivem numa quinta vegan, onde não se utilizam quaisquer produtos de origem animal (nem para fertilizar a terra).

Como eles dizem: “O Projeto Romã é um projeto de vida, centrado na alimentação, procuramos qualidade, autenticidade e pureza nos nossos produtos. Fazemos um agricultura vegan (natural, sem produtos de origem animal e sem químicos), temos preocupações ambientais bem fundamentadas, banimos o plástico descartável, temos unicamente casa de banho seca e produzimos a nossa própria energia, temos um nível de auto-suficiência elevado. O Projeto Romã é um projeto alternativo, coerente e bem real que representa o sonho de uma vida mais humana. Abrimos o nosso espaço a todos o que se identificam connosco e que procuram uma alimentação vegana de excelência.”

Mas este projeto não vive sem estar no mundo, e a Tatiana e o Cláudio têm os pés bem assentes na terra. Todos os produtos que saem das suas mãos, quer sejam as hortícolas, quer os queijos vegan, são de grande qualidade e devem ser valorizados também por isso.

Ao longo dos anos, recolheram informação que lhes permite ter um conhecimento profundo sobre as escolhas que fazem e que, com generosidade e disponibilidade, partilham com quem os visita. Se fores lá, não vás como turista, não vejas apenas com os olhos e a curiosidade básica. Vai como observador e participante de uma mudança urgente no mundo, por ti, pelas crianças do mundo, por todos os seres vivos e pelo nosso planeta Terra.

O Romã é uma referência, e mais do que um local para visitar é um local para aprender a fazer mudanças que nos levem num caminho de maior sustentabilidade e consciência. Eu diria que é como uma pedra no centro de um lago, que vai repercutir em ondas até às margens e chegar a todos os que precisam de um impulso para iniciar ou manter uma mudança coerente de vida.

Como dizia antes, os produtos existentes na quinta/loja, são de uma qualidade, autenticidade e pureza que eu creio que serão difíceis de encontrar noutro local com esta mesma energia e capacidade de nutrirem o nosso corpo físico. Valorizar o trabalho de um agricultor e de uma artesã faz parte de criar um mundo de valores humanos, um mundo sustentável, um mundo compassivo e de autenticidade.

A partir de hoje o Projeto Romã terá dias em que terá a loja aberta. Se não puderem ir hoje ao dia aberto, não percam a oportunidade de irem lá noutro dia, e quem sabe, começarem ali a comprar as vossas hortícolas, detergentes, óleos, especiarias, chás, queijos vegan e o pão (da Mil Grãos).

(1) https://www.facebook.com/Projeto-Rom%C3%A3-1802958559916537/ https://projeto-roma.negocio.site/

Abóbora com feijão à moda do Alentejo (e o que é que isto tem a ver com macrobiótica?)

Não imaginam o quanto pensei antes de decidir publicar esta receita. Pela simplicidade da mesma, pela sua falta de ar de comida moderna que se vê agora nos blogs, pelo seu aspeto de “comida pobre” (é só o aspeto, garanto-vos!) e porque este é um dos pratos mais macrobióticos que como, mas que não aprendi no IMP.

No entanto, é uma das minhas comidas preferidas no Inverno e é habitualmente feita pela minha sogra que é alentejana e a sabe fazer mesmo bem (muito melhor do que eu!).

Muitas das pessoas que vêm aos meus Workshops de Macrobiótica dizem-me que antes só comiam abóbora na sopa. Nos Workshops comemos crua, assada, frita, estufada, cozida (nishime) e nas sobremesas. Este prato é tipicamente alentejano e também utiliza a abóbora inteira em cubos grandes.

Decidi então partilhar esta receita (e convidar a que a experimentem em casa) porque sinto que faz parte das receitas macrobióticas nacionais (esta é alentejana, mas há muitas pelo país fora). São os pratos tipicamente adaptados ao nosso clima, à nossa constituição (quase sem ou mesmo sem ingredientes de origem animal), feitos com produtos da época e cultivados em solo nacional, que juntam vários sabores (doce, ácido, picante, amargo, salgado) e que nos permitem comer de forma equilibrada. Para quem me acompanha, o meu próximo Workshop de macrobiótica terá este tema.

Esta abóbora com feijão é servida em cima de fatias de pão alentejano. Este pão era feito com o cereal transformado em farinha e depois passado por um processo de fermentação natural, o que o torna um alimento muito, muito interessante para o nosso sistema digestivo. Por isso, se quiserem comer a abóbora de forma tradicional com pão, por favor façam-no com um bom pão. Caso contrário, não recomendo a que a comam com pão. O molho deste prato é muito saboroso e acompanha bem com arroz integral de grão redondo, millet, bulgur ou outro cereal

Abóbora com feijão à moda do Alentejo

Ingredientes (4pessoas):

  • Abóbora menina ou manteiga: 5 taças (taças de 250ml, serve como referência)
  • Feijão catarino ou feijão manteiga cozido: 2 taça
  • Caldo de cozer o feijão: q.b.
  • Alho: 4 dentes
  • Coentros: um molho generoso (a gosto)
  • Louro: 2 folhas
  • Azeite: 4 colheres de sopa (a gosto)
  • Vinagre de cidra: 1 colher de sopa
  • Sal q.b.
  • Pão alentejano para servir (opcional)

Preparação:

  • Se não tiver o feijão cozido, demolhe cerca de 12h e coza, coberto de água, na panela de pressão com uma tira de alga Kombu (se não tiver a alga, coza mesmo sem ela).
  • Corte a abóbora em cubos grandes (3cmx3cm).
  • Coloque o azeite num tacho largo, o louro, 4 ramos de coentros (reserve os restantes para o fim) e os dentes de alho abertos e ligeiramente esmagado (retire a parte interior aos mesmos, caso não faça bem a digestão deste ingrediente).
  • Leve ao lume e acrescente logo um pouco de caldo de cozer o feijão e uma pitada de sal. Tape o tacho e deixe cozinhar 5 minutos.
  • Junte a abóbora envolva com os restantes ingredientes, e um pouco de caldo do feijão. Tape e deixe cozinhar. Se necessário vá adicionando mais caldo, mas depende sempre muito do teor de água da abóbora.
  • Quando a abóbora estiver quase tenra (não pode estar cozida na totalidade), junte o feijão, os coentros picados e o vinagre.
  • Deixe apurar um pouco o molho, rectifique o sal.
  • Para saber a quantidade de molho, lembre-se que deverá ser o suficiente para ensopar o pão.
  • Retire do lume e sirva num prato fundo, onde previamente colocou duas fatias de pão de levedação natural.

Com Amor,
Dulce

Couves de Bruxelas salteadas e a importância de não desistir de um alimento na primeira vez que se experimenta

As couves de Bruxelas são encantadoras em todos os aspectos:

  • são lindas, parecem couves perfeitas em miniatura.
  • São rebentos, crescem no caule de uma couve maior (e por isso em inglês têm o nome de Brussels Sprouts).
  • São saborosas, o seu sabor é único.
  • São da família das crucíferas e, por isso, são ricas em componentes que as tornam um alimento que ajuda a melhorar a nossa condição e prevenir algumas doenças.

O seu nome, segundo dizem, deve-se a terem sido cultivadas de forma mais intensiva em Bruxelas, Bélgica. Diz-se também que esta é a couve tipicamente europeia.

Apesar de todas as qualidade que referi no início, estas couves estão no Top 10 dos vegetais mais odiados.

Por isso disse no título: é importante não desistir de um alimento na primeira vez que o provamos. Pode ter sido mal confeccionado, pode ser mesmo só uma questão do paladar não estar habituado, pode ter sido uma combinação de sabores no prato que não resulta, …

Aconselho a:

  • Insistir mais vezes.
  • Cozinhar de formas diferentes.
  • Comer menos quantidade, mas não deixar de comer.
  • Disfarçar, no início, juntando o alimentos a outros.
  • Comer em primeiro o que não se gosta, quando se tem mais fome parece que sabe melhor.

couve-de-bruxelas possui elevadas concentrações de três glucosinolatos: a sinigrina, a glucobrassicina e a gluconapina que, por hidrólise, dão origem aos isotiocianatos e ao índole- 3-carbinol. Estes compostos fitoquímicos têm efeitos inibidores sobre o crescimento de diversos tipos de células cancerígenas, como na leucemia, no cancro da próstata, da mama, do pulmão e do ovário, de acordo com numerosos estudos feitos na área, (1), (2).

Conte cerca de 6 destas pequenas couves, que são aproximadamente 150 gramas, e pode obter: vitamina B2, B5 e B6, uma quantidade de vitamina C (71 mg), suficiente para atingir o valor estipulado para as necessidades diárias (75 mg para a mulher e 90 mg para o homem), folatos e, os insubstituíveis minerais, potássio, cálcio e magnésio. A quantidade de fibra alimentar presente chega às 6,4 gramas, uma boa dose e, tudo isto, com apenas 65 calorias, (1), (2).

Adoro estas couves simplesmente cozidas, ou feitas com arroz (como se fosse arroz de grelos), mas a forma como eu mais gosto é sem dúvida salteadas com azeite e alho.

Estamos a entrar na Primavera (sim, no calendário Chinês ela tem início no dia 5 de Fevereiro de 2019) e devemos começar a comer de forma a adaptar o nosso corpo à estação que chega. Comer rebentos (como as couves de Bruxelas é, por isso também, uma excelente opção.

Pelo menos uma vez por semana, inclua couves de Bruxelas nas suas refeições. Vai ver que o seu paladar se habitua ao ponto de ser a primeira coisa que desaparece do prato.

Couves de Bruxelas salteadas

Ingredientes (2 pessoas):

  • Couves de Bruxelas: 250g
  • Alho: 2dentes
  • Azeite: 1 colher de sopa
  • Vinagre de umeboshi: 1 colher de sobremesa
  • Sal: uma colher de sobremesa
  • Água: q.b.

Preparação:

  • Lave as couves de Bruxelas e, se forem muito grandes, dê-lhes um golpe ou corte-as ao meio.
  • Coloque ao lume uma panela com água suficiente para escaldar as couves e com sal.
  • Quando estiver a ferver leve metade das couves a cozer durante 2 minutos. Retire, escorra e repita a operação para o resto das couves.
  • Enquanto as couves cozem pique o alho miudinho para uma Wok (ou frigideira) e junte o azeite.
  • Leve a Wok ao lume e acrescente imediatamente as couves (não deixe o alho queimar nem aquecer demasiado).
  • Salteie rapidamente, junte uns pingos de vinagre de ameixa e sirva imediatamente.
  • Nota: é importante não deixar as couves cozer demasiado, quer porque perdem nutrientes, quer porque o seu sabor se acentua e aí sim ficam horríveis.

(1) Retirado de: http://stopcancerportugal.com/2014/02/07/couve-de-bruxelas-europeia/

(2) Podem ler mais aqui:

  • http://visao.sapo.pt/visaosaude/2018-11-24-Nao-gosta-de-couve-de-bruxelas–Mas-devia
  • de Figueiredo SM, Binda NS, Nogueira-Machado JA, Vieira-Filho SA, Caligiorne RB. The antioxidant properties of organosulfur compounds (sulforaphane). Recent Pat Endocr Metab Immune Drug Discov. 2015;9:24-39.
  • Fuentes F, Paredes-Gonzalez X, Kong AT. Dietary Glucosinolates Sulforaphane, Phenethyl Isothiocyanate, Indole-3-Carbinol/3,3′-Diindolylmethane: Anti-Oxidative Stress/Inflammation, Nrf2, Epigenetics/Epigenomics and In Vivo Cancer Chemopreventive Efficacy. Curr Pharmacol Rep. 2015;1:179-96.
  • Clarke JD, Dashwood RH, Ho E. Multi-targeted prevention of cancer by sulforaphane. Cancer Lett. 2008;269:291-304.
  • Koushik A, Spiegelman D, Albanes D, et al. Intake of fruits and vegetables and risk of pancreatic cancer in a pooled analysis of 14 cohort studies. Am J Epidemiol. 2012;176:373-86.
  • https://ndb.nal.usda.gov/ndb/foods/show/301772

Creme de trigo sarraceno e a importância de ajustar a alimentação às estações

O meu pequeno almoço costuma alternar entre creme de arroz integral com mistura de cerca de 20% de outro grão integral (millet, cevada, centeio, trigo sarraceno, aveia, arroz glutinoso, …); creme de millet com abóbora ou simples; pão da Mil Grãos, feito com massa mãe e com uma levedação de pelo menos 24h, barrado com pasta de sésamo, amendoim ou amêndoa. Acompanho sempre com sopa de Miso.

Na Primavera e Verão às vezes faço um sumo verde que bebo numa quantidade moderada.

Nas últimas semanas misturei trigo sarraceno (ou trigo mourisco) com millet e confesso que ainda gosto mais desta combinação do que a de arroz com trigo sarraceno. Acho que o fiz intuitivamente, quando peguei no frasco de millet senti que não era suficiente para as temperaturas que têm estado (no local onde vivo, as mínimas chegaram a atingir os -3ºC).

E daqui surge a partilha desta necessidade de ajustar a alimentação ao clima.

O trigo sarraceno é um “cereal” sem glúten (coloco entre aspas, porque apesar do nome “trigo” ele não tem as características de um cereal), rico em proteína, muito utilizado nos países frios ou no inverno. Na Rússia é tostado antes de ser cozinhado (o que o torna ainda mais quente) e nessa forma tem o nome de “kasha”.

Deve ser utilizado por pessoas com uma vida ativa (desportistas) e também pode ser usado quando se pretende recuperar de um estado de debilidade devido a doença, neste último caso recomendo usar junto com arroz integral). O Francisco Varatojo dizia que ele aquecia as mãos, isto porque ajuda a levar o calor até às extremidades.

Mas… não há bela sem senão. O trigo sarraceno tem um sabor particularmente forte, que não é do agrado da maioria das pessoas que não foram habituados a ele. Por isso, esta mistura com millet surgiu perfeita.

É mesmo muito importante ajustar a alimentação às estações. Já falámos na questão de comer este alimento que “aquece”, mas comer alimentos da época:

  • ajuda o corpo a ajustar-se às condições climatéricas, diminuindo o stress necessário a esse ajuste.
  • Permite que variemos muito mais ao longo do ano.
  • Esta escolha torna possível comer alimentos que crescem no local onde vivemos (e isso é particularmente importante no caso de alimentos com maior teor de água, como frutas e vegetais).
  • Leva-nos a comer os “super-alimentos” do local onde vivemos para essa época do ano, sem necessidade de importar os super-alimentos adequados a outros locais do planeta.
  • Possibilitam comer de forma muito mais ecológica, com a pegada de carbono associada ao transporte reduzida ao mínimo.

Creme de trigo sarraceno

Ingredientes:

  • 1 chávena de café de trigo sarraceno (não tostado)
  • 2 chávenas de café de millet
  • 20 a 25 chávenas de café de água
  • casca de limão (raspa)
  • bebida vegetal a gosto
  • 1 c. de café rasa de sal marinho integral
  • topping que desejar (canela, frutos secos, redução de frutos vermelhos, compota de abóbora e canela, maçã/pera cozida, …)

Preparação:

  • Lave os cereais e leve a cozer com a água e pitada de sal. Se preferir pode pré-demolhar os cereais durante a noite; nesse caso escorra e leve a cozer com um pouco menos de água.
  • Quando estiverem cozidos (cerca de 25 minutos) desligue.
  • Retire para um tacho mais pequeno a porção que desejar para o pequeno almoço e guarde o restante numa caixa de vidro com tampa.
  • Acrescente no tacho um pouco de bebida vegetal e deixe que volte a ferver.
  • Junte a raspa de limão e triture com varinha mágica se gostar da textura de creme (é como eu prefiro).
  • Sirva com um topping a seu gosto (o da imagem é redução de frutos vermelhos com um micro morango da horta).
  • O resto dos cereais podem ficar no frio e serem preparados no momento, todas as manhãs.

Convido-o a sentir a diferença entre este pequeno almoço no inverno e outro composto por fruta ou sumos. Como é a reacção do seu corpo?

Com Amor,

Dulce