Quanto custa um Workshop?

Gostava de partilhar convosco algumas dúvidas que me assaltam quando tenho que cobrar dinheiro por um Workshop (WS). E fiquei a pensar nisso depois de alguém me ter dito que gastou 50 Euros para poder ir caçar e acabou por nem sequer ir por causa de problemas que teve com o cão.

Não leiam esta publicação com a sensação de que me estou a queixar. Não! Pelo contrário, estou cheia de gratidão a rever algumas das coisas a que a realização de um WS obriga, muitas outras não se conseguem (d)escrever.

O que faço tem o selo do Amor e sentido de Missão, e quando se faz com Amor o “custo” fica muito diluído. “O trabalho é Amor tornado visível” (K. Gibran)

Para facilitar um WS necessito de:

  • ter formação na área em que vou ensinar (ver nota final);
  • praticar aquilo que ensino (na macrobiótica, no mindfulness e no pão isso é imprescindível);
  • ter um espaço onde estejam reunidas condições para realizar o WS;
  • elaborar os guias para os participantes levarem consigo;
  • divulgar o WS, preparar texto e imagens;
  • responder a emails e telefonemas (que é uma coisa que faço com imenso prazer);
  • registar as inscrições e verificar pagamentos;
  • preparar-me para o WS, relendo e estudando outra vez o tema;
  • no caso dos WS de macrobiótica:
    • elaborar um menu com as receitas e testar todas as receitas (mesmo que já as tenha feito centenas de vezes);
    • calcular as quantidades para o número de pessoas que estarão presentes;
    • fazer uma lista de compras e de utensílios que terei que ter disponíveis;
    • ir às compras às vezes a vários locais, porque nem sempre encontro o que quero de origem biológica num só local;
    • pré-preparar alguns alimentos e ter essa logística toda pensada (o que tem que estar demolhado, o que pode/deve já estar cozido, etc.).
    • fornecer uma refeição completa: sopa, prato com vários acompanhamentos; sobremesa, chás, … tudo de origem biológica.
    • ter pessoas a dar-me assistência;
  • no dia do WS preparar o local, deixar tudo limpo e acolhedor;
  • depois do WS limpar tudo e re-organizar o espaço.

Quando forem a um WS, meu ou de alguém que tenha formação para o facilitar, pensem um pouco sobre se o valor que estão a pagar. Será que ele cobre realmente todos os custos associados?

Nota: Cada uma das minhas formações, as de macrobiótica e as de mindfulness custaram mais de 5000 Euros (portanto, tenho investidos muito mais de 10 000 Euros em formações nestas áreas). Custaram centenas de horas, a maioria aos fins de semana ou durante as minhas férias. Custaram muitas horas de ausência junto da minha família. Obrigaram a muitas opções diferentes daquelas que faria se não tivesse assumido esses compromissos.

Programa de Redução de Stress Baseado em Mindfulness

O programa

O Programa de MBSR[1] é um curso de 8 semanas, baseado no treino da atenção plena, que recorre a prática formal e informal de mindfulness,  movimento consciente e conhecimento sobre o mecanismo de funcionamento do stress. Com este programa são dadas as ferramentas e adquirem-se as competências para que estas práticas se integrem no quotidiano, através do treino intensivo da mente e da ligação mente-corpo. Cultivam-se as qualidades associadas ao mindfulness que ajudam a quebrar os ciclos de ansiedade e stress e facilita-se a descoberta dos recursos internos para o fazer, permitindo uma nova forma de relação com a vida tal como ela se manifesta momento a momento.

Mindfulness – Atenção Plena

A definição amplamente utilizada de mindfulness em diversos contextos no ocidente, é a que o próprio Jon Kabat-Zinn elaborou: “é a qualidade que emerge enquanto prestamos atenção de uma maneira particular: de propósito, no momento presente e sem julgamentos, no serviço da auto-compreenssão e sabedoria”. No entanto o mindfulness está no coração da religião budista, e muitos professores de mindfulness tiveram o seu primeiro contacto com o mindfulness nesse contexto. Jon Kabat-Zinn teve a capacidade de utilizar esta prática em ambiente secular, o que a levou a ser cada vez mais conhecida e praticada fora do seu enquadramento religioso original.

Benefícios do programa[2]

  • Melhor gestão da ansiedade e do stress;
  • Melhoria no sistema imunitário e na regeneração celular;
  • Desenvolvimento de  competências emocionais;
  • Recuperação de memória e das capacidades cognitivas;
  • Aumento da sensação de bem-estar e de relaxamento;
  • Melhoria nas capacidade de empatia e comunicação;
  • Maior resiliência.

Como funciona

O programa tem a duração de 8 semanas consecutivas, tendo cada sessão a duração de 2,5 horas. Entre a 6ª e a 7ª sessão há um dia de retiro, com a duração de 6h.

O que incluí o curso

  • Manual do Curso MBSR em português
  • Práticas guiadas de meditação, em mp3, para acompanhar em casa
  • Certificado final a quem participar em todas as sessões e no dia de retiro. Exigido para quem quiser fazer o Teacher Training dos cursos MBSR e MBCT. O certificado é reconhecido pelo MBPTI – UCSD (www.mbpti.org)

Local

SlowDown Estúdios

R. Luís Gonzaga do Nascimento, 7 subloja r/c, (campainha do meio) Setúbal

Valor

  • 190 Euros
  • 160 Euros Estudantes e Alunos do SlowDown Estúdios

Datas e Horários

Pré-sessão

17 de Setembro, 18h30 às 20h00

Sessões

18, 25 Setembro (18h30 às 21h)

2, 9, 16, 23, 30 Outubro (18h30 às 21h)

6 Novembro (18h30 às 21h)

Retiro

27 Outubro (10h às 16h)

Sobre a formadora

  • MBSR-Mindfulness Based Stress Reduction Teacher in Training pela Universidade da California San Diego, com Dr. Steven Hickman e Dra. Susan Woods;
  • Certificação como facilitadora do Programa Still Quite Place (Mindfulness para crianças, adolescentes e jovens), com Dra. Amy Saltzman
  • Curso de 3 anos Macrobiótica, Saúde e Auto-Transformação pelo Instituto Macrobiótico de Portugal (IMP).
  • Curso de Especialização em Aconselhamento e Comunicação (Macrobotic Health Coach), pelo IMP.
  • Orientador de grupos de prática regular de meditação mindfulness (IPS);
  • Prática regular de meditação Mindfulness;
  • Prática Regular de meditação Heartfulness (Kamlesh D. Patel, Daaji)
  • Participação no Programa DeepU (Vasco Gaspar);
  • Retiros (Exercícios Espirituais) com vários sacerdotes Jesuítas;
  • Formações em PBL (Project Based Learning), ABL (Active Based Learning) e PBR (Practice Based Research);
  • Professora na Escola Superior de Tecnologia de Setúbal (ESTSetubal/IPS) desde 1998;
  • Licenciatura, Mestrado e Doutoramento em Eng. Eletrotécnica pela Universidade de Coimbra.

[1] Programa desenvolvido pelo Professor Jon Kabat-Zinn (Center for Mindfulness, da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts) na década de 70.

[2] Provados em vários estudos efetuados sobre os resultados do MBSR

Aquilo que fazemos repetidamente torna-se naquilo que somos

Se em alguns momentos da história da medicina se duvidou que a neuroplasticidade cerebral se mantivesse ao longo da vida, neste momento não há dúvidas que a neuroplasticidade cerebral é uma capacidade que se mantém sempre e que não existe apenas em idades jovens.

É devido a essa capacidade que o nosso sistema nervoso se molda, adaptando-se estrutural e funcionalmente ao longo do seu desenvolvimento. A maleabilidade dos circuitos neuronais, que podem establecer novas ligações e destruir ligações anteriores, está na base da memória, capacidade de aprendizagem e aquisição de novos hábitos.

Por este motivo a aquisição de um hábito novo custa tanto… Mas é sempre possível!

Se, por exemplo, eu criar um ritual matinal que inclui 20 minutos de meditação mindfulness o meu cérebro vai, de início, resistir. Depois de criar o hábito a resistência vai ser menor. E depois da prática estar estabelecida se, por qualquer motivo, eu saltar os 20 minutos de meditação matinal, o meu corpo vai sentir.

20 minutos diários repetidos consistentemente (600 minutos mensais) vão criar os caminhos cerebrais, que serão reforçados continuamente e que com o tempo permitem manter-me no momento presente.

Se, para além desses 20 minutos eu fizer pequenas pausas de voltar ao momento presente, retornando à respiração e sensações corporais com frequência, estarei a construir um novo eu: mais presente, mais focado, mais inteiro, mais consciente, mais amoroso para comigo e para com todos, mais pacífico, mais compassivo, mais vivo.

Aquilo que faço repetidamente torna-se naquilo que eu sou.

Por isso, se quero:

  • mastigar mais vezes…
    • Posso escolher uma refeição por dia para o fazer conscientemente. Nas outras refeições ter isso presente em algumas garfadas. Com o tempo estarei a mastigar conscientemente e muitas vezes todos os alimentos.
  • exercitar-me diariamente…
    • Posso começar por marcar 10 minutos na minha agenda para caminhar energicamente e nunca faltar a esse encontro. Em cada semana posso alargar o tempo de caminhada ou fazer outro tipo de exercício físico mais intenso. Com o tempo o exercício físico diário tornar-se-á indispensável.
  • estar presente nas tarefas que realizo…
    • Posso começar com 2 minutos de paragem intencional sempre que inicio uma nova tarefa. Entretanto posso guardar um intervalo maior ao início ou final do dia para uma prática de mindfulness formal (meditação) e para outra informal (tomar sempre o duche com atenção plena, por exemplo). Com o tempo fiz o caminho suficiente para viver de forma mais plena e consciente.
  • fazer escolhas alimentares mais saudáveis…
    • Posso começar por ter sempre uma taça de vegetais cozinhados e crus a acompanhar todas as refeições e habituar o meu paladar ao sabor simples e autêntico de cada vegetal. Ao comer a taça de vegetais haverá menos espaço para outro tipo de alimentos. Com o tempo o corpo passa a escolher os alimentos saudáveis que entraram na rotina e no paladar.
  • ser mais compreensiva para comigo…
    • Posso começar por ter um post it no espelho da casa de banho a lembrar-me de sorrir para mim e dizer uma palavra de apreço. Posso ter outro tipo de estratégias deste tipo, como beijar as minhas mãos em agradecimento, permitir-me descansar quando estou cansado(a), escrever uma frase a cada dia que diga coisas positivas sobre mim. Com o tempo terei muitos pensamentos amorosos para comigo e quando aparecer a auto-crítica o hábito de me tratar bem sairá em minha defesa.

… acrescente o que achar que mais lhe convém.

A consistência, a repetição e os compromissos para connosco, são sempre a chave de mudanças duradouras.

 

Mindfulness, Atenção Plena

Como é que o Mindfulness entrou na minha vida

“Isto é o que nos torna humanos, o que nos distingue dos outros animais. Podermos estar conscientes de estar conscientes.” Jon  Kabat-Zinn

O nome mindfulness entrou na minha vida pela mão de um monge budista vietnamita chamado Thich Nhat Hanh[1].

Em criança para mim era muito fácil estar perfeitamente focada no que estava a fazer, uma coisa que até irritava os meus irmãos que tinham dificuldade em distrair-me com conversas e brincadeiras se eu estivesse a desenvolver alguma atividade que me exigisse concentração. Lembro-me de ter prazer genuíno em tudo o que fazia.

Em jovem, entre os meus 18 e 23 anos, a prática formal e informal de mindfulness foi uma constante. Não havia um dia em que não praticasse, mas não sabia que aquilo que fazia tinha esse nome. Sabia sim que permanecia ligada no presente com muita facilidade, que era muito mais focada e obtinha melhores resultados nos estudos do que a maioria dos meus colegas, que percebia com antecedência os sinais do meu corpo e sabia lê-los de forma a poder adequar a minha resposta aos estímulos externos e internos. Tinha uma “visão externa” de mim, uma consciência interna e uma perspectiva da totalidade do que me envolvia.

Relembro essa fase da minha vida com muito agrado, era muito feliz, e durante muito tempo quis voltar a esse “estado”, porque fui perdendo a minha identidade quando deixei a prática formal. Esse período, em que deixei a meditação, coincidiu com o arranjar trabalho, casar e ter 3 filhos. Procurava oportunidades para parar e meditar, mas não o conseguia fazer de forma regular, mais por falta de compromisso do que de tempo. Quando deixei a prática de meditação mindfulness muitas vezes sentia que “eu não era eu”.  Mas sempre soube qual era o caminho para “casa” e nesses anos que mediaram os 25 e aos 40 anos,  li muito sobre meditação, sobre mindfulness e comecei a ler e a ouvir dharma talks do Monge Budista Thich Nhat Hanh.

Há cerca de 6 anos decidi assumir um compromisso para comigo, e voltei à prática regular. O que é que mudou para que eu tivesse tempo? Nada. Tenho trabalho (muito), família, os três filhos, …

A diferença na minha vida, desde que retomei a meditação, começou a fazer-se sentir. Foi como um regressar a casa, à minha pele, à apreciação genuína pela vida que se revela a cada instante, às possibilidades infinitas que estão nas escolhas momento a momento, ao olhar que vê mas não julga, à inteligência do corpo que comunica as suas necessidades atempadamente, à visão externa de mim e do todo, …

Comecei depois a ler o trabalho desenvolvido pelo Professor Jon Kabat-Zinn[2] e decidi fazer o Curso de Redução de Stress Baseado em Mindfulness[3] seguido do Treino Intensivo para Professores[4]. Porquê? Porque o mindfulness é uma das ferramentas mais poderosas para viver de forma plena que conheço, um autêntico milagre, como lhe chama Thich Nhat Hanh. Talvez seja a única forma de estar verdadeiramente vivo: prestando atenção deliberadamente ao momento presente, completamente conscientes do que se passa dentro de nós (corpo, coração e mente) e do que se passa à nossa volta, sendo esta observação sem julgamento ou crítica.

Mindfulness e meditação

“Com o mindfulness, não ficamos apenas tranquilos e felizes, mas alerta e despertos. A meditação não é evasão; é um encontro sereno com a realidade.” Thich Nhat Hanh

Falei sobre meditação. Então mas mindfulness é meditação? Sim e não.

Sim, porque é necessário ter uma prática/treino que só se adquire numa prática formal, regular, sentada, de meditação mindfulness.

Não, porque mindfulness é esta capacidade de estar no “Aqui e Agora” em todos os momentos (e não só na prática formal), tendo consciência das distracções e retornando ao momento presente as vezes que forem necessárias, e isso manifesta-se em todos os momentos do dia.

Vou dar um exemplo. Imaginem que tenho um alguidar de meias para dobrar. Há várias formas de dobrar as meias. Ou com aborrecimento e zanga, a pensar naquilo que tive que interromper para poder dobrar as meias. Ou à pressa, a pensar que quanto mais depressa despachar aquilo, mais depressa posso ir “viver a minha vida” (como se dobrar as meias não fizesse parte do milagre de estar vivo). Ou com consciência total do que estou a fazer; presente e consciente das sensações no corpo e das distracções que surgem enquanto dobro as meias, com o foco no momento presente e não naquilo que fiz antes ou vou fazer a seguir. Nesta última opção dobro as meias e vivo aquele momento como se realmente valesse a pena estar vivo.

Enquanto escrevia isto, uma das minhas gatas, a Miu, veio para o meu colo e tive que parar de escrever. Esta gata, em particular, é uma excelente instrutora de mindfulness. Enquanto está ao meu colo não me deixa fazer mais nada senão dar-lhe colo e fazer-lhe festas. Faz-se presente de uma forma tão inquestionável que, por alguns minutos, só existo eu e ela.

Todos nós já tivemos momentos de estar completamente ausentes da nossa vida, em “piloto automático”. Quantas vezes já chegaram ao trabalho, estacionaram e não se lembram de grande parte do caminho que fizeram até ali? Ou quantas vezes têm que voltar atrás para verificar que fecharam o carro? E enquanto tomam banho, quantas pessoas estão convosco no duche (em pensamento), e terminam o banho sem terem sentido a água a correr, o cheiro do shampoo ou a cremosidade da espuma?

Todos nós também já tivemos momentos em que estivemos absolutamente vivos e conscientes (em Atenção Plena). Quando abraçaram alguém e tiveram plena consciência daquele momento e das sensações no vosso corpo? Ou no momento em que colocam uma garfada da vossa comida preferida na boca e tiveram a sensação de que estão plenamente vivos tal a intensidade de sensações que vos prende àquele momento? Ou quando ficaram a ver um pôr-do-sol, totalmente embrenhados na experiência como se só existisse aquele instante?

Benefícios do mindfulness

“Não podemos parar as ondas, mas podemos aprender a surfar” Jon Kabat-Zinn

O mindfulness é uma prática milenar e está no coração do Budismo. No entanto, Jon Kabat-Zinn, Professor Emérito da Faculdade de Medicina de Massachusetts e Director do Centro de Redução de Stress dessa Faculdade, trouxe-o para o mundo ocidental. Não é correto dizer que secularizou esta prática, mas apenas que tornou possível que esta fosse acessível a todos, independentemente da religião (ou ausência de uma prática religiosa).

Durante a meditação mindfulness formal, a prática será sempre dirigida de forma a manter a nossa atenção focada no momento presente. Recorrendo à respiração (já deste conta que está a respirar?), às sensações corporais ou a outro foco que nos ajude a estar no “Aqui e Agora”. Quando damos conta que nos distraímos com pensamentos ou algum estímulo externo, voltamos outra vez a atenção ao momento presente, sem recriminação ou frustração por nos termos distraídos. Isto é feito repetidamente, porque como devem imaginar, não é fácil, de um momento para o outro, parar a torrente de pensamentos que nos assaltam constatemente. É claramente um treino.

Aquilo que fazemos repetidamente torna-se mais forte. Por isso, o que estamos a fazer numa prática de meditação mindfulness é a aumentar e reforçar este estado de consciência e presença. A neuroplasticidade cerebral permite criar novas ligações e reforçar as existentes quando realizamos a mesma atividade com regularidade.

Os benefícios do mindfulness estão cientificamente estudados e comprovados, sendo reconhecidos a nível mundial por várias entidades de referência na área da medicina e psicologia. Os primeiros estudos publicados sobre este assunto, em meados dos anos 80, demonstraram as vantagens do mindfulness quando praticado por pessoas portadoras de dor crónica. Desde essa altura, milhares de estudos científicos foram feitos e os resultados publicados.

As evidências científicas sobre o mindfulness (prática formal) indicam que há benefícios sobre várias regiões do cérebro (por aumento da espessura cortical em zonas relacionadas com a atenção): melhora a capacidade de concentração, a memória, a orientação espacial, a capacidade de decidir de forma mais adequada, melhorando também a capacidade de lidar com situações stressantes e de regular as emoções. Outros benefícios relatados indicam também maior capacidade de tolerar dor, de viver com doença crónica, a percepção corporal e até melhora a imunidade. Os benefícios são imensos e cada vez há mais estudos surpreendentes a comprová-lo.

O mindfulness não faz só bem à mente, faz bem ao coração e ao corpo como um todo.

Com o mindfulness a nossa vida (trabalho, família, problemas, dor…) não muda. Muda é a nossa forma de nos relacionarmos connosco e com a vida como ela surge. Tal como diz o Professor Jon Kabat-Zinn: não podemos parar as ondas, mas podemos aprender a surfar.

[1] The Miracle of Mindfulness, Thich Nhat Hanh

[2] Full Catastrophe Living: How to cope with stress pain and illness using mindfulness meditation, Jon Kabat-Zinn

[3] MBSR – Mindful Based Stress Reduction

[4] MBSR TTI: Mindfulness-Based Stress Reduction Teacher Training Intensive

Comer Atentos, Mindful Eating

“Podemos comer com amor, sabendo que somos cuidadores do nosso corpo, em vez dos seus donos” (Thich Nhat Hanh, em “How to Eat”)

Comemos desatentos?

Sabes aquele momento em que chegas a casa, depois de um dia em que não paraste um minuto, em que comeste “qualquer coisa” ao almoço e ainda foste ao ginásio e às compras? Entras em casa, poisas tudo e disparas para a despensa onde apanhas o primeiro pacote de bolachas que devoras uma a seguir à outra; a seguir abres o frigorífico e tiras duas fatias de queijo para pores dentro de um pão (que até só compraste por causa dos lanches dos miúdos); enquanto comes o pão, tiras da caixa mais umas amêndoas de chocolate que sobraram da Páscoa, e vais comendo enquanto arrumas as compras e começas a fazer o jantar. Em 10 minutos, ingeriste muita comida com pouca qualidade e que não te faz sentir nutrido(a)/saciado(a). Sentes-te frutado(a) por este episódio repetido quase diariamente, e irritado(a) contigo por teres comido tanta “porcaria” de forma inconsciente.

Ou, lembras-te da última vez que resolveste almoçar em frente do computador para despachares os e-mails? Quando olhaste para a marmita o almoço tinha, miraculosamente, desparecido e continuavas com fome. Tanta fome que até foste buscar um bolo à pastelaria, ficaste à conversa e demoraste mais tempo do que aquele que poupaste a ver os e-mails enquanto almoçavas. Que frustração…

Ou lembraste da discussão que tiveste com os teus colegas numa reunião difícil, e quando terminou chegaste ao gabinete e abriste o pacote de bonbons que te tinham dado (e que tinhas só para oferecer a alguém que te visitasse) e comeste de seguida metade da caixa? Lembraste que a calma inicial que sentiste desapareceu de imediato e só te apetecia chorar?

Ou lembraste daquela sardinhada com a família em que comeste uma dúzia de sardinhas, entre pão, batatas, salada, vinho, melancia, uvas, conversa, enquanto alguém insistia para tu comeres “só mais isto”? Agora até te enjoas só de te lembrares da quantidade enorme de comida que foste capaz de ingerir e que te fez sofrer 2 dias com problemas digestivos.

Não sei se te identificas com alguma das histórias anteriores, ou até tens mais umas para acrescentar. No meu caso, alguns episódios podiam fazer parte da minha história passada, claro que com alterações, mas sei que são comuns a muitas pessoas.

Adicionalmente, para muitas de nós mulheres, a perseguição do “corpo perfeito” (como se o seu corpo não fosse perfeito) arruinou a nossa capacidade de comer com prazer, e muitas vezes comer é mais um exercício de matemática (contar calorias) do que um ato de amor para connosco próprios. E comer é um ato de grande intimidade e de amor.

Nas sociedades mais desenvolvidas, onde existe mais oferta de comida, comer tornou-se tão insatisfatório (e até odioso) para tantas pessoas. Como é que isto é possível? A indústria alimentar e o marketing tentam facilitar-nos a vida com comida pré-preparada com rótulos “saudável”, até fruta descascada e partida já se vende. No entanto, parece que o resultado é contrário, e os problemas relacionados com transtornos alimentares não param de crescer. Já pensaste nisso?

Muitas vezes não é tanto o que comemos, mas a forma como comemos que condiciona a nossa saúde física e emocional. Comer distraídos ou condicionados por pensamentos e críticas internas são factores que despoletam frustração, tristeza, infelicidade, desconforto e até raiva dirigida a nós próprios e aos alimentos.

É necessário re-aprender a comer? Sim, para todos aqueles que sentem que têm problemas com a comida, por comerem compulsivamente ou por outros motivos, para todos aqueles que se sentem condicionados por crenças incutidas aos longo dos anos e que não reconhecem como sendo suas, e para todos aqueles que querem estar presentes num momento tão íntimo que é o de nutrir o seu corpo.

Mindful Eating

 

Ao almoço come apenas a tua refeição e não os teus medos e preocupações. Não comas o almoço à secretária. Muda de ambiente. Sai para dar um passeio. – Thich Nhat Hanh

Primeiro, e antes de falar sobre mindful eating, que se pode traduzir como “comer com atenção plena”, “comer atentos” ou “comer despertos”, é necessário falar de mindfulness ou Atenção Plena. A Atenção Plena é uma capacidade que todos temos de prestar atenção deliberadamente ao momento presente, completamente conscientes ao que se passa dentro de nós (corpo, coração e mente) e ao que se passa à nossa volta. Esta consciência existe sem julgamento ou crítica, sendo estas duas atitudes fundamentais quando queremos comer com Atenção Plena, em que apenas estamos a observar de forma curiosa e aberta as emoções e sensações que surgem enquanto comemos.

Infelizmente, esta capacidade de Atenção Plena, que devia ser natural em todos os seres humanos, está em extinção, principalmente junto das comunidades com maior desenvolvimento económico. O próprio ato de comer deixou de ser um momento de paragem, e a inconsciência é tal que somos capazes de consumir quantidades brutais de alimentos sem darmos conta, sem saborear, sem agradecer, sem respeitar o nosso corpo.

O mindfulness quando praticado e vivido com constância traz uma nova vida à nossa vida, em todos os aspectos. Thich Nhat Hanh chama-lhe um milagre, e não é menos do que isso. As investigações científicas na área têm provado que o mindfulness é sem dúvida uma ferramenta com resultados brilhantes em diversas áreas de saúde, quer psicológica quer física.

Comer com Atenção Plena é um exercício de mindfulness, que podemos fazer sempre que comemos, mesmo que seja apenas um bago de uva, uma avelã ou uma chávena de chá.

Desde que fiz o curso de Redução de Stress Baseado em  Mindfulness, MBSR TTI [1], e o de Macrobiótica [2] que este tema concreto de comer de forma consciente me apaixona.

Na macrobiótica, talvez pelas suas raízes orientais e pela importância dada à alimentação para a manutenção da saúde, o ato de comer é sempre em atenção plena. Comer com gratidão, mastigar bem, comer sempre sentados num ambiente calmo, fazer do acto de comer um ritual sagrado e de intimidade para com o nosso corpo, foram coisas que sempre ouvi da boca do meu querido Professor Francisco Varatojo.

Estes dois cursos juntos, a prática diária formal e informal de mindfulness e a leitura de livros sobre o tema, como o da Monja Zen Jan Chozen Bays [3]e do Monje Budista Thich Nhat Hanh [4], mudaram a minha forma de me relacionar com a comida.

Não foi de um momento para o outro que isto aconteceu. Aquilo que ouvi dos meus pais durante anos (“não podes deixar comida no prato”, “come depressa”, …); o que a sociedade me impõe com um marketing alimentar impiedoso na rádio, televisão, cinema, cartazes, internet, (sabias que a maior fatia do orçamento da maioria das grandes indústrias alimentares é para marketing? E a que vem a seguir é para investigação sobre a forma a tornar os alimentos aditivos?); a imagem que fui construindo de mim própria (“estou gorda”, “sou viciada em açúcar”, “não consigo comer devagar”, “odeio o meu corpo”,….) entre muitos outros condicionamentos, não desaparecem rapidamente. Mas foi possível ir descobrindo, através da prática de alimentação consciente, como é que fui condicionada, iluminar esses condicionamentos e escolher apenas os valores que me fazem sentido. É um processo de libertação lento, nem sempre fácil ou sem dor.

Com o mindful eating descobri também que existem vários tipos de “fomes”. Nem sempre comemos porque o nosso corpo está a precisar de alimentos, e o tipo de alimentos que escolhemos depende do tipo de fome que temos. Com esta consciência comecei a fazer opções diferentes, em alguns casos comendo alguma coisa, e noutros casos dando ao meu corpo o que ele realmente estava a pedir (descanso, atenção, um abraço, água, …).

Se quiserem uma lista de coisas práticas por onde podem começar, deixo aqui as que me parecem mais importantes e fáceis de começar sem orientação:

– Come sempre sentado(a) (mesmo que seja apenas uma fatia de maçã).

– Quando comeres desliga a televisão, afasta-te do computador e esquece o telemóvel. Come apenas, com toda a tua atenção e disponibilidade para receber a comida que te vai nutrir.

– Antes de começar a comer pára um pouco, toma consciência da comida e agradece. Agradece com consciência.

– Mastiga bem. Para tornar este exercício mais fácil, toma bem atenção à primeira coisa que metes à boca e mastiga-a muito bem. Normalmente a primeira garfada dita o ritmo do resto da refeição.

– Poisa sempre os talheres. Não coloques mais nada na boca sem teres acabado de mastigar e engolir.

– Serve-te de pouca quantidade de comida, e repete apenas se sentires que tens mesmo capacidade de comer mais. Ouve o teu corpo não a tua cabeça.

– Logo que te sintas que estás a ficar cheio(a), pára. Não precisas de comer mais.

– Quando estiveres com muita fome, antes de ires buscar comida pergunta-te de que é que tens fome.

[1] MBSR TTI: Mindfulness-Based Stress Reduction Teacher Training Intensive

[2] Curso Anual de Macrobiótica, Saúde e Auto-Transformação (3 anos)

[3] Mindful Eating: A Guide to Rediscovering a Healthy and Joyful Relationship with Food

[4] Savor: Mindful Eating, Mindful Life

A Felicidade de Cozinhar

“Cozinhar é o mais privado e arriscado ato. No alimento se coloca ternura ou ódio. Na panela se verte tempero ou veneno. (…) – Cozinhar não é serviço, meu neto – disse ela. – Cozinhar é um modo de amar os outros.” (Mia Couto em “O Fio das Missangas”)

Cozinhar está na moda?

Pela quantidade de programas, livros, revistas, blogs, publicações nas redes sociais e cursos, podemos dizer que cozinhar está outra vez na moda. A preocupação pela origem do que comemos e pelas questões de saúde ligadas diretamente àquilo que colocamos na boca permitiu que este movimento de pessoas que cozinha tudo aquilo que come crescesse. Cozinhar voltou a ser valorizado, e isso é um retorno à sabedoria antiga, em que os(as) cozinheiros(as) ocupavam um lugar importante nas casas, porque eram eles que cuidavam de alimentar e nutrir toda a família.

Saber cozinhar é tão importante para a manutenção da saúde que no Japão os primeiros “médicos” (i.e. aqueles que eram chamados para tratar os doentes) eram cozinheiros e o primeiro “livro de medicina” (i.e. o livro que continha os remédios a aplicar em cada situação) era um livro de sopas. Cozinhar pode ser o nosso primeiro ato de auto-responsabilidade no que toca à nossa saúde. É, definitivamente, um ato de liberdade e até de “rebeldia” face ao que a indústria alimentar e marketing alimentar nos oferecem. Optar por alimentos e preparações mais saudáveis, e saber cozinhá-los de maneira a que fiquem saborosos e irresistíveis é uma forma de amar.

Eu cozinho tudo o que como[1] e prefiro alimentos biológicos, alimentos exclusivamente de origem vegetal e produtos preferencialmente produzidos localmente e da estação em que estamos. Quando cozinho sigo os princípios da cozinha macrobiótica e, exceto alguns alimentos fermentados ou condimentos como miso, vinagres, tempeh, entre outros, prefiro cozinhar tudo a partir do zero (cook from scratch, como dizem os ingleses). Tenho ainda a felicidade de ir buscar alguns ingredientes diretamente à horta, de preparar conservas de vegetais ou purés de fruta no Verão para todo o ano, e de amassar o meu próprio pão.

Cozinhar em atenção plena, Mindful Cooking

Cozinhar em atenção plena… Mas há outra forma de cozinhar? Sim, eu sei, há. A maioria das vezes não estamos realmente presentes quando estamos a realizar as tarefas rotineiras. Os robots de cozinha, nasceram para nos permitir abandonar a cozinha e deixá-lo a trabalhar, apitando apenas quando é necessário juntar mais algum ingrediente ou quando a comida está pronta. Se tenho alguma coisa contra eles? Nada! Aliás tenho um de que gosto bastante, mas que quase só uso como auxiliar para triturar, homogeneizar, misturar e bater.

Mas cozinhar é uma excelente oportunidade para estar no momento presente, consciente e desperto. Enquanto cozinho tento não estar focada no final da tarefa (despachar a comida como algumas pessoas dizem), mas na tarefa em si. Pré-preparo todos os ingredientes: peso, lavo, corto, sentindo todos os aromas e uma imensa gratidão. Misturo com ternura, tempero com detalhe (e com amor), provo e retifico. Uso criatividade, até porque às vezes há abundância de um alimento na horta e tento prepará-lo de formas diferentes para que no prato não apareça igual. Enquanto cozinho tento estar completamente absovida na tarefa, o que nem sempre é fácil, mas tenho alguns truques que me ajudam.

Um deles é ter a cozinha limpa quando começo a cozinhar e iniciar a primeira atividade, que pode ser só ir buscar legumes ao frigorífico, lavar uns cereais ou pôr uma água a ferver, como se fosse a tarefa mais importante que tenho para realizar. Iniciar qualquer tarefa mais longa com consciência e atenta, ajuda sempre a que toda a atividade siga esse ritmo.

De seguida partilho mais algumas reflexões.

Tarefas que exigem muita atenção

Se há tarefas que exigem muita atenção, como cortar um alimento finamente ou cozinhar em lume alto, estes são os momentos de profunda concentração, em que tento não ter mais nada para fazer em simultâneo. Estou mesmo concentrada e enquanto percebo todas as sensações corporais. Quanto mais rápida é a tarefa, mais presença me exige.

Tarefas repetitivas

Lavar e descascar vegetais, fazer cortes menos exigentes, mexer continuamente alguma coisa que se pode “pegar”, são tarefas que me dão muito prazer exatamente porque as faço de forma atenta e relaxada, propositadamente consciente, com atenção à postura e sensações corporais com todos os sentidos presentes e sem o objetivo de que a tarefa termine rapidamente. Demora-se exatamente o mesmo tempo quer a nossa postura seja correta ou, pelo contrário, estando irritados, stressados, ausentes em pensamentos, sem dar conta do que estamos a fazer ou do que o nosso corpo está a sentir.

Tarefas em simultâneo

Quem cozinha sabe que há muitas actividades que são feitas em simultâneo. Enquanto a sopa coze, prepara-se um arroz ou uma salada. Enquanto o forno assa parte da refeição, há outros acompanhamentos para preparar… Há sempre mais do que uma tarefa a executar. Como é que se pode estar atento e presente no meio do “caos”? O segredo é: quando se está a fazer uma coisa estar plenamente atento ao que se está a fazer, mesmo que estejam outras 10 “em fila de espera”. Se a sopa vai estar pronta daqui a 20 minutos pode usar-se um relógio de cozinha ou um temporizador que nos lembre disso, para podermos estar descansados com essa tarefa enquanto preparamos outras coisas. Passados os 20 minutos estaremos então totalmente presentes para terminar a sopa.

Magia nos alimentos

Não há duas cenouras iguais; numa couve todas as folhas são diferentes; os cheiros, as texturas, as cores de cada alimento são únicas. A variedade de cores e formatos dos vegetais é enorme, as possibilidade de combinar são imensas.

Quando estou presente, quando cozinho com presença e coração, sinto a vibração única de cada alimento. Isso enche-me de gratidão e a tarefa de cozinhar deixa de ser apenas mais uma coisa que tenho que fazer, passa a ser um momento de magia no meu dia. Os pormenores ligam-me ao momento presente. Experimento cheirar algum alimento que nunca cheirei profundamente, ou tento perceber a melhor forma de cortar determinado vegetal, ou corto de uma forma que nunca experimentei, ou olho com profundidade para a história dos alimentos que vou preparar naquele momento e sinto a ligação a todos os elementos da natureza de que faço parte. Relacionarmo-nos com os alimentos pode parecer loucura, mas para mim significa apenas que estou viva e imersa no momento presente.

As distrações

Cozinhar com atenção plena e amor é incompatível com:

– Ter a televisão a fazer constantemente barulho e a mostrar notícias violentas ou dramas de alguém que desconhecemos. Temos sempre a opção de desligar.

– Os telemoveis e as mensagens a interromper constantemente o processo. Podemos dar atenção ao telemóvel e só depois começar a cozinhar. Se só houver tempo para uma coisa podemos escolher o que seja mais importante.

– Sentir nojo pelos alimentos que estamos a preparar. Se há alguma coisa que nos mete nojo, deixa desconfortável ou agonia, não o devemos fazer porque o resultado final não vai ser bom para quem vai comer. Eu recuso-me a cozer animais vivos (ameijoas, por exemplo).

No entanto, cozinhar com atenção plena e amor é compatível com:

– Presença de outras pessoas que respeitem o que estamos a fazer e com quem se possa dividir tarefas.

– Filhos pequenos a quererem ver o que estamos a fazer. Aconselho a arranjar estratégias, como cadeirinhas altas que se fixem ao balcão ou transportar a criança num pano porta bebé que mantenha as nossas mãos livres e a criança em segurança. Já cozinhei com um filho agarrado a uma perna e outro ao colo, e não é o mais agradável. Nessas situações claro que a atenção é dividida por todos, ficando a comida com a menor parte. Mas logo que tenham idade, podem ajudar a lavar legumes num alguidar, mesmo que isso signifique a cozinha um pouco mais suja no final.

Cozinhar é uma perda de tempo?

Cozinhar parece uma perda de tempo. Pode passar-se uma manhã na cozinha e em pouco mais de meia hora todos os alimentos serem consumidos e, muitas vezes, sem a atenção e apreço que mereciam. Mas cozinhar é a única forma de nutrir o corpo não só com comida, mas com o alimento que sacia mais do que o corpo físico. Acredito que a comida está carregada de energia, dos próprios alimentos e da forma como eles foram confecionados: “No alimento se coloca ternura ou ódio. Na panela se verte tempero ou veneno.”

Cozinhar com sabedoria e presença é a melhor forma: de reduzir idas ao médico, à farmácia e ao hospital; de reduzir dores, doenças e os períodos em que temos que ficar em casa a tratar-nos; de aumentar a nossa vitalidade e nutrir em profundidade o corpo e a alma. Quando sabemos cozinhar também percebemos que comer não é “meter qualquer coisa à boca”. Comer é um ato de profunda intimidade para com o nosso corpo. Aquilo que comemos vai transformar-se no nosso sangue, nas nossas células, nos nossos órgãos, … Cozinhar é um modo de amar, não só os outros mas a nós mesmos, e isso não é, de certeza, perda de tempo.

Para ser feliz na cozinha…

  • Quando for para a cozinha descontraia-se, deixe do lado de fora da porta todas as preocupações.
  • Arranje um avental alegre para se lembrar do estado em que quer estar nesse momento.
  • Mantenha a cozinha ordenada e limpa tanto quanto possível, antes, durante a confecção dos alimentos e no final.
  • Cozinhe com fluidez, sem tensão. Tome atenção ao corpo enquanto cozinha e deliberadamente descontraia-se.
  • Encha-se de gratidão pelos alimentos, pela vitalidade de que vêm carregados e pelas possibilidades de os transformar numa refeição que promova a saúde de todos.
  • Ame cada detalhe daquilo que está a fazer, colocando-se de coração na preparação da refeição.
  • Se não sabe cozinhar, aprenda. O melhor, no início, é cozinhar para alguém que ame.
  • As refeições mais nutritivas têm poucos ingredientes.  A simplicidade é uma regrade ouro na preparação das refeições.
  • Faça tudo em atenção plena.

[1] Claro que também como, pontualmente, em restaurantes ou na casa de amigos e família.